quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Sons de cólera

Os russos começam a dar suas cartas. Jogam uma bomba de mostarda na frente do avião e atrás, um pouco perto de onde estou, uma flashbang. Meus ouvidos mais uma vez sentem a tortura de um zunido incessante, enquanto não enxergo nada. Deito no chão e empunho minha sub junto ao peito.
Um dos sequestradores grita palavras em russo. Não consigo entendê-las, mas lógico que são ameaças. Os atiradores russos começam a querem me acertar, não tenho outra alternativa senão abaixar a cabeça e esperar. As janelas do avião começam a ser pintadas de preto, uma a uma, para não dar margem de tiro aos atiradores de elite. Evidentemente que são reféns os que pintam as janelas, mesmo assim, um dos atiradores russos tenta alvejar um deles. Não consegui ver no que deu, mas que eu tô puto da vida com esse povo idiota estou.
Me levanto e grito Polícia em três línguas diferentes. Inclusive: Полиция! Tudo o que consigo é mais um tiro, na mesma perna. Vou morrer de hemorragia desse jeito. Miro para o avião, acerto o leme, na esperança que os animais entendam o recado. Dou dois tiros e espero pra ver. Abre-se uma das portas de emergência da aeronave e um dos reféns grita em russo: "Acertem ele! Ele se finge de polícia, mas é terrorista também, acertem ele!" O pobre coitado leva um tiro no peito e eu mais uma rodada de balas ricocheteadas no solo. Estamos todos ferrados.
Sempre que a merda está grande, pode piorar. Um caça faz um vôo rasante e descarrega uma rajada de metralhadora bem ao lado do avião. Depois, um helicóptero aparece, se posiciona praticamente em cima da aeronave e dele descem dois "policiais". Mesmo assim, nenhuma reação é notada de dentro do avião.
A mesma voz que ouvimos dentro da cabine agora aparece de dentro do helicóptero:
"Aqui é Frida novamente. Não estamos dispostos a negociar mais com vocês. Terão 15 minutos para deixar o avião e entregar os reféns. Isso é uma ordem, senão o caça dará um fim em todos."
Grande Frida, agora mesmo que fomos pro saco. Se isso é uma tática de negociação russa, acho que nem precisaria de megafones nem nada. Basta matar todo mundo e pronto! Pra que sobreviventes?

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

& * £...

As coisas estão piorando. Alvejando a porta da cabine com uma saraivada de metralhadoras e espingardas, os sequestradores quase conseguem me acertar. Não penso duas vezes e me escondo em qualquer lugar, esperando a recarga, que parece não acontecer nunca. Aquele momento de silêncio que nos credita alguma chance em tiroteios, quando o "rival" está recarregando suas armas. Mas o rival aqui são muitos, todos sedentos, que esperavam que eu cometesse esse erro crasso.Isso pode custar a vida de todos os reféns. Mas, como eu não tenho saída, escapatória nenhuma e acho que vamos todos é morrer mesmo, faço minhas as palavras do Iron Maiden: "If you gonna die, die with your boots on!". Morrer lutando é o que posso oferecer a mim mesmo. Quem sabe eu não dou sorte e me saio vivo dessa.
Uma granada de impacto é lançada e quebra a porta. Nada...silêncio. Estou em um ângulo de, aproximadamente 40 graus à leste de quem entra. Minhas duas miras ficam uma baixa e outra alta. Não consigo escutar nada. Vejo um movimento. Espero. Um dos sequestradores me vê e não atira. Apenas acena com a cabeça, mandando eu jogar as armas no chão. Ele tem o político como escudo. Atiro na cabeça do político e depois no pescoço do criminoso. Ivan grita, esperneia, xinga, mas não aparece. Um dos militares agora é que serve de escudo para o velho da Uzi. Mudo minha posição, rastejo e rolo até me aproximar de uma das janelas, estilhaçada pelo impacto da granada. O velho me vê e atira. Errou. Leva um tiro no pé e uma cotovelada do militar, que rouba a arma dele. Em vão...Dois sequestradores o matam, mas a arma roubada é avariada por um dos tiros.
Consigo sair da aeronave e caio no chão. Não respiro. Apenas olho em volta e não vejo uma alma viva. Outra granada cai a 5 metros de mim. Corro e levo duas picadas de marimbondo na perna esquerda. Caio no chão de novo e grito. Ouço os passos dentro do avião, estão me caçando. Um dos sequestradores aparece, caindo da cabine. Como eu estou no chão ele não me vê. Olha para os lados e grita: "Temos companhia!Militares russos estão nos cercando!Ivan, fala no ráááárgh!"
Tomou um tiro na garganta. Eu mesmo atirei.
Corro, chego até uma árvore e olho para trás. Ivan me vê por uma das janelas e faz não com a cabeça. Aponto a minha pistola para a minha cabeça e a submetralhadora para a dele. Sim, sou um maníaco, Ivan. Agora você, não passa de um cadáver.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Países não estão em Guerra?

12 Reféns. Nunca que esses fanáticos vão concordar. Uma coisa é óbvia: agora mesmo teremos a chance de negociar melhor. Arrumar outro avião, aqui na Rússia, seria algo quase improvável, mesmo sabendo que a atual economia russa está mais aberta do que estacionamento 24 horas.

"Petulantes. EU DIGO O QUE VOU FAZER. QUEM DÁ AS CARTAS AQUI NESSA MERDA SOU EU. Primeiro: Não há hipótese alguma de negociação. Se quiséssemos isso, faríamos na Inglaterra. Segundo: assim que cessar essa comunicação, eu mesmo matarei os 12 reféns que os senhores achavam que seriam libertos. Outra coisa: um avião cargueiro, militar, com autonomia de vôo para 30 horas, senão um dos políticos aqui vira pó.Desligo."

Ivan nem pestanejou e fuzilou sete pessoas já mortas e completou as doze. Não acredito mais em nada mesmo. Nem em ninguém. Vou matar logo esse cara. Saco minha arma e, com a coronha, desmaio o piloto. Roubo a sua arma, uma sub, de fabricação israelense e uma 9.2mm. Cinco carregadores de cada arma me dão a margem de 15 minutos de tiroteio. Fecho a porta da cabine do avião chutando o cadáver do piloto. Estou pronto, animais..

Parênteses

Quando estávamos no ar, uma voz feminina entrou pela cabine, no rádio do avião. Com certeza uma Russa, que, falando em Inglês, demonstrava muita calma e decisão. Se identificou como Frida Duchese Schtoilatson, cônsul russa e possível negociadora. Ela animou os sequestradores afirmando que os caças iriam somente escoltá-los. Pensei que isso tudo era uma grande merda, já que tínhamos sido avariados. Mesmo assim, gostei do tom de voz de Frida e comecei a torcer para que o piloto de nosso boeing conseguisse o pouso.

A morte dava suas caras pouco a pouco, um a um os reféns sofriam crises de infarto enquanto a aeronave descia. A um custo material e pessoal quase incalculável, o imopiloto consegue, graças a não sei quem, jogar o boeing numa fazenda. Estávamos praticamente todos feridos, mas vivos.

"Torre de controle, conseguimos pousar, pedimos coordenadas e segurança dentro de um perímetro de 12km." - "Ótimo, aqui quem fala é o Comandante Kovalckson, vocês têm a minha garantia de segurança. Peço que permaneçam dentro da aeronave. Dentro de 5 minutos faremos contato visual por terra e ar, câmbio."

Agora o negócio parecia estar mais tenso. Ivan não deixava claro se concordava ou não com o que estava acontecendo e andava de um lado pro outro. O velho da Uzi se mostrava um pouco menos tenso, acho que esse cara é russo mesmo. Eu tento até agora entender essa merda de sequestro e não vejo como o governo da China compactua com esses possíveis "camaradas", me parecem muito desleixados para representarem alguma coisa ligada a partidos políticos, dão a impressão de serem meros sequestradores, mas isso não os rebaixa em grau de maldade. Nennhum pouco.

Alguns francos espalhados pelo chão chamam a atenção de Ivan. Ele abaixa, diz um sonoro "merda" e segue em direção ao pavimento inferior da aeronave. Ouço sua voz, agora ríspida e imperativa. Na certa dando um esporro em alguém. Dois tiros. Nada mais.

"Atenção tripulantes do vôou 1234, aqui é o Tenente Dardwet, sou da equipe terrestre. Estou no comando de nossa operação. Minha frequência de rádio é segura, vocês podem se comunicar comigo. Caso precisem, entrarei no avião, mas só se libertarem 12 reféns." Essas palavras, por mais seguras que pareçam ser, vieram de uma voz trêmula e amendrontada. Estamos feitos...

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Mother Russia

A estratégia agora é simples: pousar na Rússia. Talvez lá trocar de avião ou mesmo abortar o plano. Os sequestradores não tinham mais as feições de calma e sarcasmo, estavam bem mais nervosos do que nós. A Rússia poderia ser o começo do sucesso ou mesmo o território de um massacre, pois o governo de lá não é o mais pacífico da Terra.
Ivan cuidou para que o buraco fosse parcialmente tampado, mas a despressurização de todo o avião deixou o ar rarefeito, todos respiram através das máscaras. Vários passando mal e vomitando, o efeito é imediato.
Minha cabeça agora só pensava em uma coisa: se for para morrer, morrerei lutando. Não quero me esborrachar no meio da Praça Vermelha e ter meus restos mortais misturados ao de Lênin e Marx sem que tenha lutado. Dois lutadores da História não concordariam em dividir túmulos com um covarde. Sou inglês, de descendência escocesa, sangue de guerreiros corre em minhas veias, que começam a sumir, fico fraco e tenho a sensação de um desmaio.
"Ivan, estamos sendo escoltados por caças russos. Eles não entraram em contato ainda, mas estão fazendo manobras de interceptação." - "Seja mais franco, idiota! O que é isso?"
"É exatamente o que ele está lhe dizendo, Ivan.Eles estão se posicionando atrás do avião e piscando um alerta e fazendo manobras em X.Vão atirar." - "E desde quando você sabe alguma coisa sobre isso, policial filho da puta?" - "Ele está certo, Ivan, ele está certo!"
Não há mais ar para respirar. Só o gosto e cheiro da morte. Uma coisa amarga e com cheiro de sabão barato. Não vi nenhum filme sobre a minha infância, nem memórias boas. Só sinto o cheiro de naftalina no ar e sinto o pânico de todos nas minhas costas. Os passageiros rezam, gritam, soltam as máscaras, se debatem. São espancados pelos sequestradores, que estão fracos e zonzos. Uma 9mm cai e ninguém percebe, só eu e um dos militares. Ele acena um sim com a cabeça e olha para a direita. Entendo a mensagem. Um dos sequestradores está de costas. Pego a pistola e sento em cima dela. Quisera eu não estar com essa roupa ridícula de mergulhador.
"Vamos cair! Vamos cair! Atenção! May Day! May Day! Vôo 1234, pedindo permissão para pousar na pista! Pelo amor de Deus! Caindo! Estamos perdendo altitude!"
"Permissão negada, piloto! Aqui quem fala é o Comandante dos Migs, o senhor será interceptado em dois minutos. Saia do espaço aéreo russo e será poupado, caso contrário, atiraremos para matar."
Bom, agora ferrou tudo de vez mesmo. Os russos nem sonham em dialogar com essa corja. Coisa que deveria ter sido feita há tempos pelo governo inglês. Eu ainda mato esses parlamentares bichas.
"Nossa viagem está chegando ao fim.Mas eu vou dar um jeito." O piloto manobrou bruscamente para a direita e ouvimos um barulho, algo que teria batido na cauda do avião. Não consegui entender, mas um comunicado veio dos caças. Acho que o animal jogou o Jumbo pra cima de um deles. Agora a manobra é de descida, tiros de metralhadora ecoam no fundo de nossa aeronave. Pelo som, a Uzi do "velho cagão", deve estar fazendo o favor a um dos reféns...Consigo vestir uma jaqueta ensanguentada de um dos comissários de bordo. Agora coloco a pistola num dos bolsos, aquele bolso interno que fica no peito esquerdo. Não sei se ela está municiada, mas, pelo peso, acho que sim.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

18:50

As angústias de cada passageiro do "Vôo da Morte", alcunha dada pela imprensa britânica eram repassadas via celular, pelos próprios sequestradores. Um deles, um tal de Gorishk, brincava de correspondente aéreo e nem se preocupava em tapar o rosto; conversava com os âncoras da BBC londrina e dava entrevistas para a rede norte-americana CNN.
Os franceses que estavam na outra aeronave como reféns, agora se tornaram mais membros da operação. Puro teatro. Tirando o episódio das duas crianças mortas, que fora verdade, o resto é a mais pura mentira, todos os choros, lágrimas e palavras de medo...São na verdade infiltrados para garantir o bom andamento do maldito plano.
De soslaio, peguei Ivan olhando uma foto de Irana. Achei uma boa oportunidade. Talvez esteja aí um dos pontos fracos desse calculista e congelado homem. Não o deixei perceber, mas agora que já sei, posso usar isso adiante.
O tempo de vôo previsto era de 4 horas com escala em um dos países russos. Lá, Ivan iria ordenar a troca de alguns presos na Sibéria e libertar os falsos reféns franceses. Só não sei como será essa troca, já que todos eles seriam então interrogados e poderiam ser descobertos. Daí a minha cabeça deu um estalo: e se Ivana não tivesse morta? Com certeza há vários integrantes dessa quadrilha que são indireta ou diretamente ligados à Departamentos de Defesa. Isso está me cheirando a merda. E das podres.
Não sei quanto tempo o restante dos reféns poderá aguentar. O ar condicionado foi desligado, a mando do piloto. Um dos militares já demonstrava sinais de fraqueza. E, agora, não sei em quem mais confiar. Nem eu mesmo estou passível de confiança.
"Dez para sete da noite, Ivan, está na hora!" O piloto deu a dica e Ivan, num gesto seco e sem pensar, atirou no militar enfraquecido. Todos se assustaram e o projétil ricocheteou, abrindo uma das janelas; máscaras de oxigênio desciam enquanto o pânico tomava conta do ambiente. Numa situação dessas, não se sabe o que vai acontecer, ainda mais quando se está a mais de 800km/h. Não sei ao certo, mas senti a aeronave baixar, bem lentamente. Acho que o piloto estaria tentando fazer uma manobra de emergência.
"Ivan, seu idiota! Olha só o que você fez, seu merda!" - O senhor da Uzi praguejava em alemão e xingava numa língua parecida com russo, sei lá.
"Deixa que eu cuido disso. Nada vai acontecer. Seu velho cagão."

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Notícia do Dia


Até que enfim. Uma boa notícia. Talvez a melhor notícia de hoje. Quando eu vi a cara desse bezerro eu até imaginei um nome pra ele. E o simpático bovino tem cara de Leco pra mim. Sei lá porque mas imaginei esse nome. O que aconteceu a ele foi um congelamento das patas traseiras. Tá no site da Globo!

Blog da Discórdia do Inferno: Mudando o Mote

Blog da Discórdia do Inferno: Mudando o Mote

Mudando o Mote


Olá, caros amigos bloggueiros. Hoje, pela manhã, decidi mudar um pouco o tom da escrita. Mas por enquanto, aqui nesse post. Prometo que o Sequestro ao Avião Inglês continuará.


É que a capacidade de nossos políticos no quesito enchimento de linguiça é sórdida. Acho que só é comparada à verborragia dos apresentadores de Talk-Shows, os programas de entrevista onde não há entrevista, mas sim uma demonstração sumária de quanto A, B, e um monte de C's são inteligentes, que falam vários idiomas, são super informados (produção ajuda pra carelho) e carismáticos.


Tem um certo gordo aí, que é muito melhor escrevendo do que falando. Ele mesmo. Primeiro, faz uma cópia fiel, ipsis litteris de um formato norte-americano, que, com certeza é inspirado em outro. Depois de XICL anos na TV, com uma apelação tosca por sua imagem, insite em não virar o disco. Até porque o disco tá velho, ninguém quer saber dele. Uma lástima. Daí você se pergunta: mas e os políticos, cadê?


Imagine só: um certo governador, aquele do Estado de SP, esteve no CQC segunda passada. O Serra realmente é um alvo certo. Jornalistas adoram alfinetá-lo com perguntas capiciosas. Mas ele é bem mais astuto do que imaginam. O Caçapa, ops, é Kassab, fica muito mais vermelho e constrangido após às incurssões de cunho tosco e irônico. Serra sempre enrolou bem e sempre se saiu melhor do que qualquer aventureiro das perguntinhas prontas. Ele realmente merece o Troféu Discórdia no quesito Enrolador Oficial da Política Brasileira. Parabéns, governador! O Sr. Merece!


Outro que é sério candidato ao TFEOPB é Lula. Esse gosta de uma câmera e um holofote. Pensem nisso: é inevitável o incremento de mão-de-obra e adquirir novíssimos equipamentos para a exploração da camada Pré-Sal. Lula se mostra como o "Descobridor" desse filão brasileiro e mexe todos os hashis para que nada de mal aconteça. Já que, no caso de alguém (Roussef) ganhar as eleições majoritárias em 2010, Lula responderá pela Petrobras. E ele é enrolão. Mas enrola mais que o Fernandão pra jogar bola. Tem uma perspicácia e poder de resposta quase que instantâneos. Observe, no Youtube: digite lá: gafes do presidente Lula. Você vai rir, mas vai rir muito. E olha que tem todo o tipo de situação. Mas, poucas delas envolvem entrevistas onde ele se sente vergonhoso e de saia curta. Presidente, o Sr. ainda ganha o TFEOPB, basta uma vírgula de improvisação sarcástica para se juntar ao hall. Embora eu ache que não é de sua vontade ficar ao lado dos que serram, é?

Em breve, teremos a candidatura de outro governador, popularmente conhecido como apreciador de boas bebidas alcoólicas.Valeu! Ouçam música!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Saindo


Hoje eu morro. Pensei nisso várias vezes desde que entrei nessa enrascada. Nessas horas lembro bem de meus pais, quando tinha meus 17 anos e eles reforçavam a idéia de que entrar no Exército Inglês não me faria mais digno do que ninguém, que eu teria de seguir a carreira de advogado de meu pai ou mesmo a de médico, como minha mãe o fora antes de morrer. Mas não, quando se tem uma vocação você se esquece do dinheiro, do status, das convenções sociais e até mesmo se esquece de si mesmo.

Respirando ofegantemente, por causa do medo, me dirigi a um dos bancos e olhei para Ivan, meio que pedindo autorização para me sentar. Ele acenou um "não" com a cabeça e me encaminhou até a cabine. Não sei o motivo, mas fiquei mais tranquilo com isso.

Dois pilotos mortos estavam sendo tirados de dentro da cabine quando cheguei. Um deles não deveria ter mais de 30 anos de idade. O mais velho, cheio de condecorações e medalhas espalhadas pelo uniforme, devia ter uns 60 ou mais. Tive pena e raiva ao mesmo tempo, mas não era hora de me expressar. Um dos terroristas me acomodou num banco que fica atrás do co-pilto, acho que deve ser o assento do comissário de bordo. Que também tinha sido morto. Não entendendo mais nada do que eles conversavam entre si por causa da língua, permaneço imóvel. Estático e atônito, me perguntando qual seria o meu valor ainda vivo, já que militares estão no avião e valem estrategicamente bem mais do que um simples policial. Agora, quando o piloto terrorista entra em contato com a torre de controle falando em Inglês, começo a entender. Ele vai enumerando uma a uma as personalidades "interessantes" para o Governo Inglês não abater a aeronave. Então, reconheço o nome de uma delas: Jonh McMannan The Third, o deputado que tinha visto antes. E o filho da puta pertence à Família Real. Por enquanto estamos bem.

"Policial, deixa eu te dizer algo: você está prestes a testemunhar algo que irá mudar a vida da humanidade. Em sintonia com essa operação, outras aeronaves no mundo todo, inclusive no Brasil, participam do Dia do Terror. Articulados com várias facções libertadoras, estamos agora rumo à Pequim, cidade onde teremos asilo político e local de um fuzilamento em massa. Incluindo vossa pessoa, um belo plano, não?" - "Sim, só gostaria de saber o porquê você me contou isso. Não estou nem aí pra suas palavras, sejam elas cheias de ideologias ou não. Só me preocupo com o bem-estar de todos esses inocentes que vocês colocaram nessa. Solte-os, vamos negociar com a cúpula da Polícia Inglesa e a Interpol, poderemos entrar em contato com a Família Real e garantir a vida de todos vocês; estão cometendo um erro crasso se acham que sairão daqui sem arranhões!"
"Olha que para um policial o senhor até que fala bem. Mas agora não adianta mais, Sir Officer! Estamos a poucas horas do nosso destino. Antes de chegar lá, até permitirei que fale com alguém de sua família ao telefone." - "Se for por isso não se esquente à toa. Minha família toda sou eu mesmo." - "Comovente. Então ligue para o Diabo, talvez ele te dê atenção."
Ligarei sim, bastardo; e nessa ligação, farei o possível para que ele não te esqueça. Te vejo no Inferno!

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Xeque


A manobra seria a seguinte: um dos aviões encostaria a asa no outro e os reféns seriam transportados para uma aeronave só. Ivan queria garantias de que todos pudessem passar, sem nenhuma outra "manobra estúpida", palavras dele, vinda da polícia. Ele me deu as instruções e pediu para que eu as passasse pelo rádio do segundo avião.

Um por um, os reféns foram se levantando e vestindo cada um deles uma roupa preta. Cada calça dessa roupa tinha um algarismo romano. O pano era quente e grudento, mais parecia com uma roupa de mergulhador. Começo a ficar tenso e perceber que o objetivo dos interceptadores dos dois aviões teria sucesso, pelo menos na primeira parte do maldito plano.

Ivan me ordenou a vestir a tal roupa também. Troço esquisito, tenho a impressão de que seremos todos jogados ao mar, para então esses idiotas emprenderem fuga. Não sei como, mas algo me diz isso. Entro na tal roupa e noto que o material dela é neoprene mesmo, usado em mergulhos marinhos. Os sequestradores vestem roupas de tripulação de vôo e seguem na frente. Um deles pára e diz em francês, alemão e inglês para dez passageiros saírem e permanecerem na asa do primeiro avião. Sem entender um pouco, eles saem. A moral da estória era fazer um cordão de isolamento dos dois lados da asa, para confundir os atiradores de elite. Mas, como todos sabiam, não seria a hora de atirar. Os passageiros saem do avião e dão de cara com um senhor, de aproximadamente 70 anos portando uma Uzi. Ele aponta a arma lentamente para cada um, como que dizendo: "Estou de olho em você."

Saímos do avião, eu, acompanhado de Ivan e sua 9mm nas minhas costas. Ao entrar na outra aeronave, um pouco mais luxuosa e maior que a outra, noto que há um grupo de militares preso. Todos amarrados e um deles morto, alvejado na cabeça. Sem parar o passo, continuo averiguando a situação: aproximadamente 45 pessoas dentro da primeira classe, mais umas 5o na classe econômica e o acesso ao compartimento de bagagens destruído. Uma escada improvisada mostra que a área estava sendo usada ou serviu de entrada para os marginais. Reconheço um dos passageiros, é um político, não sei ao certo seu nome, acho que Phillip, sei lá. Mas já vi a cara dele na Tv. Ivan me dá uma palmada nas costas e ri: "Hoje é o seu dia de sorte, policial, verá como a vista daqui de cima é melhor. Já andou de avião? Acho que não, pois seu salário mal deve sobrar para uma econômica, certo?"

Certo, idiota, mas já andei de avião sim e serei o primeiro a rir nessa sua fuça insolente ao arrancar seu coração.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Respire Fundo


As árvores de Goiânia cada vez maiores. Os motoristas reclamam da falta de visão em alguns semáforos, cruzamentos...Mas elas cresceram. E muito. As frondosas gameleiras do St Central vivem em (des) harmonia com o caos dos transeuntes acelerados, ciclistas, moradores de rua, estudantes em busca de sombra e os senhores de idade. Esses sim, dão uma aula de como era e como está a situação arbórea da capital goiana. Um velho amigo aqui do setor onde moro, Seu João, chegou a praguejar: "Esse povo é besta! Reclama quando não tem sombra, daí o prefeito planta pra dar a merda da sombra e os caras ainda reclamam que a árvore estorva!"
Pois é, Seu João, a gente tem mania de reclamação mesmo. Uma das mais frequentes é sobre a vida dos outros. Os outros estão errados, namoram a mulher errada, tem carros quebrados e desconfortáveis, andam em motos barulhentas, usam as drogas erradas, não sabem estudar direito, trabalham errado, chegamos até ao ponto de afirmar, sem conhecimento de causa que trepam errado. Devíamos respirar mais vezes. Achar o ar que existe dentro de nós e usá-lo. Usar o Diafragma, um importante aliado dos locutores, cantores e músicos. Antes de reclamar, tente respirar e respeitar (a) fundo. O Seu João fez uma reclamação após ouvir, dentro de um ônibus, o motorista de saco cheio por causa "dessa porra de galho velho", ele apenas observou uma queixa de um sujeito supostamente estressado e mandou o estresse dele para fora.
Nâo culpo meu nobre vizinho por reclamar às vezes. Mas falar mal dos outros ele não gosta: "Não é bonito, a gente tem é que ajudar o cabra a mudar de prumo..."
Taí, respirarei fundo mais vezes!

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Me disseram pra parar


Opa. Me disseram pra parar com isso aqui. Uma alma caridosa muito preocupada com a minha independência financeira me garantiu que Blog nenhum dá dinheiro, nem futuro. E que o nome desse Blog é uma ofensa, jamais conseguiria eu adeptos ou mesmo patrocinadores. Bem, senhora verdade, o duro é que nada do que foi argumentado por vossa excelência sapiente é minha preocupação. Escrevo aqui porque gosto, não me preocupo com dinheiro através desse canal. A qualidade de meus leitores supera dados estatísticos. Não quero aparecer num programa enfadonho de TV por causa do Discórdia. Fiz esse blog até para me dar um pouco de sossego, pois aqui carrego a minha alma de pequeno e amador escriba.
Continuarei com meus textos "Psicopáticos e sem nexo", eles são o que quero que sejam, e não vai ser onda nenhuma de tsunami que vai me fazer parar. Aproveito para dar a dica: o site da Anistia Internacional. Talvez lá tenha algumas pessoas que pensem como eu, que o dinheiro é ótimo, desde que seja para todos. E viva o Discórdia! Viva!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Arrependimento e Fúria.


Acordo meio tonto e vejo o sorriso sarcástico de Ivan, "O número1". A vontade era a de esganá-lo, cortar as suas orelhas e oferecê-las aos seus comparsas. Mas o que acontece mesmo é uma seção de porradas na minha cara e uma sermão de merda. Ouço tudo o que um idiota poderia ouvir numa hora dessas. Que a polícia era isso, que eu era aquilo. Um monte de merda.
"Então, depois dos belíssimos tiros disparados pelo seu atirador de elite, temos aqui dois presentes para a Inglaterra: duas crianças, uma francesa e outra dinamarquesa. Esse lindo francesinho de 7 anos e aquela mocinha ali, vinda da escandinávia...11 aninhos de idade. Lindos, não?"
Dois tiros. Certeiros. Um na testa do francês e outro no meio do peito da dinamarquesa. Eu, preso a um banco, grito "Covardes" enquanto os passageiros pediam clemância. As duas crianças são arremessadas para fora do avião. O som que vem do aeroporto é de um coro uníssono. Arrependimento e fúria. Sei que seremos crucificados mais uma vez por essa ação leviana de adentramento que me parece frustrar qualquer boa expectativa. Mas não desisto enquanto não conseguir um acordo.
"Ivan, tudo bem, você me provou que é um homem de palavra. Agora está na hora de pelo menos amenizarmos essa situação. Me solte, deixe-me conversar com você e veremos o que posso fazer." "Ahahaha! O senhor pode morrer para começo de conversa. Mas antes, quero que diga aos seus espertíssimos superiores, usando o rádio do avião, que liberem a chegada dos meus convidados de honra. Eles chegarão em poucos minutos."
"Ivan, uma hora dessas eles já foram identificados e o vôo jamais pousará em lugar algum. A aeronática certamente vai abater o avião. Escuta o que digo." Ele dá uma palmada leve no meu rosto e diz: "Será mais uma demontração de desleixo desse país podre."
Tento, em vão, negociar com o Chefe de Polícia da Scotland Yard o pouso da outra aeronave. Ele me diz, enfaticamente que não negociaria com os interceptadores e que nada poderíamos fazer a não ser esperarmos o combustível da aeronave acabar e resgatar os ocupantes em alto-mar. Passo o comunicado aos sequestradores e eles riem bastante. Gargalhadas altas e nervosas ao mesmo tempo. Ivan pega um celular e disca uma combinação de números. Fico tenso. Passo a desconfiar que....E era mesmo. Uma parte do saguão do aeroporto explode. Um pouco abaixo de onde a polícia estava instalada. Meus dentes cerram e minha mente dói. Uma dor de cabeça da pancada que recebi misturada ao ódio. Estou impotente. Nada posso fazer. O rádio do avião começa a zumbizar alguma coisa. Ivan entra na cabine e diz, em alemão: "Isso que aconteceu pode acontecer de novo em qualquer parte da Inglaterra, Espanha, Alemanha e Hungria. Basta que os senhores me desobedeçam de novo!"
Nâo consigo ouvir a resposta, mas Ivan sorri ao voltar. Conseguiram o que queriam.

Seis jardas

Corri para perto da cabine, local de onde entrei no avião; os vidros quebrados me deram a idéia de retornar, mas logo meus colegas começaram a gritar e vi um dos sequestradores cair duro na minha frente. Era um dos que estavam na parte mais baixa da aeronave. Talvez ele estivesse tentando decolar ou mesmo fechar as entradas que ficaram abertas pela gente. Junto dele, uma AK-47 em perfeito estado, parecendo ter sido feita no dia anterior. Muita munição e três pedaços de papéis nos bolsos. Não os li, mas me pareceram notas de suicida. Comecço a gritar: "Número 1! Deixa eu subir aí, vamos continuar nossa conversa!" Não obtenho resposta. Olho para os lados e um dos policiais gesticula pra que eu corresse. Iria me dar cobertura. Nego. Digo que não quero abandonar os reféns. Stanz me joga uma sacola preta. Parece um saco plástico. Consigo apanhá-la. Um comunicador e uma garrafa d'água. Coloco o rádio no ouvido...
"Cara, é o seguinte, o Primeiro Ministro disse que um dos passageiros é Libanês, uma espécie de autoridade política. Ele estaria concuminado com esse grupo aí. Você conseguiu identificar alguém?"
Faço que não com a cabeça; "Tá legal. Então vê se tem um papel aí dentro dessa sacola e escreve pelo menos de onde você acha que eles são e quantos." Escrevi o que achava e comecei a ficar preocupado com esse papo de autoridade libanesa. Pra mim, isso não tinha nada a ver, já que eles mais pareciam ocidentais mesmo, motivados por outra coisa. Ainda mais por causa da outra aeronave que iria fazer parte do sequestro. Mas uma coisa me veio à cabeça: como eu iria sair dali, como faria para continuar as negociações? E agora, que Irana estava morta, quais seriam as instruções dos sequestradores? Minha mente está confusa, não consigo pensar direito e ainda nem se passou muito tempo assim.
"Policial!" A voz vinha da cabine. "Oi, estou aqui, pode falar!" Pegue essa corda e suba para a cabine. Avise ao atirador de elite para que ele não faça nenhuma gracinha, tenho uma refém comigo."
"Alô, Stanz. Diga ao sniper para ele cessar fogo, vou voltar ao interior." Instruções dadas, grito um "Pronto" e eles jogam uma corda. Subo e deixo o rádio ao lado do trem de pouso. Dentro da cabine, uma senhora de uns 60 anos, assustada, me aponta o caminho de entrada. Passo por ela e vejo que um de seus olhos pisca para mim. Ela então corre e se joga para fora do avião. Me volto para a frente e recebo uma porrada bem no meio da minha cabeça.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Irana

Quando vi, já era tarde. Um dos seis que saíram em busca de nossa tão aventurada equipe voltou e deu uma saraivada de tiros, atingindo umas dez pessoas. Indefesas, mortas e feridas. Não contive minha raiva e praguejei contra o infeliz. Ivan conteve os ânimos do mentecapto e retirou o fuzil de sua mão. Num gesto rápido, logo o homem sacou uma pistola e a apontou para mim. Não tive medo. Até ensaiei um "Atira!", mas não quis assustar mais os reféns. Pedi para que Ivan deixasse eu entrar em contato com Stanz pelo rádio. Disse que iria ordenar o recuo da equipe. Dessa vez ele me atendeu sem dizer nenhuma gracinha...
"O que é isso, Stanz, tá querendo matar todo mundo aqui? Não ouviu o que aconteceu? Estão matando os reféns. Cadê a sua inteligência? Manda esse povo recuar agora, porra! Agora!"
E eles recuaram. Conseguiram matar um dos seis sequestradores. Na minha cabeça são cinco a menos. E a tensão só aumenta. Contei oito reféns mortos e dois feridos. Duas crianças morreram e uma grávida sofreu escoriações no rosto. Mais uma vez requisitei a Ivan o rádio, dessa vez para chamar uma equipe de paramédicos. Ele não concordou.
"Temos paramédicos em nossa equipe. E, além do mais, aqui há dois médicos. Aqueles alemães ali, você pode conversar com eles. Não quero que ela permaneça aqui dentro. Mande-os até ela e providencie que ela saia daqui com curativos."
Estou obedecendo ordens de um sequestrador. Stanz tenta, através de uma frequência do aeroporto fazer contato com Ivan. O homem surta e dá um tapa em Irana. Ela não entende. Nem eu. Já não sei mais raciocinar aqui dentro. Me tornei um zero. Mas ainda tenho controle de minhas emoções. Agora são doze e trinta. Algumas pessoas começam a reclamar de fome. Nada de trégua. Ivan me retira do andar. Subimos as escadas e dou de cara com meu uniforme no chão. Me sinto um bosta.
"Cowboy de araque. Vista suas roupas e saia daqui. Você não faz parte de nossos planos mais. Leve Irana com você e a prenda. Quero ter certeza de que ela sairá daqui antes das duas. Entende o que digo? Ela deve estar fora do aeroporto e do perímetro antes de duas horas da tarde. Caso contrário, não sobrará mais nenhum refém e seu nome será o responsável por isso tudo."
Mais uma vez obedeço ao crápula sem entender. Revisto Irana e a retiro da aeronave algemada. Nós dois estamos desarmados. Sinto uma luz vermelha no olho. É a mira do sniper. Abano com a mão direita, dando o comando de cessar fogo. Ele atira. Irana está morta, diante dos meus pés. Na pista, a uns 200 metros do avião, a equipe que que tentou o resgate em vão. Me olham e pedem para que eu me abaixe. Ouço cinco estampidos secos saindo do boeing; não fui alvejado. Mas o tiroteio começa. Me desespero. Penso nos reféns. Abro os braços e corro para perto do trem de pouso dianteiro. Ouço os gritos de vários reféns misturados a passos firmes pelo avião. Comandos de cessar-fogo vindos de dentro do aeroporto finalmente são obedecidos. Mas não consigo me mexer. Tenho medo de ser atingido pelas costas. Vejo Stanz tentando me focar num binóculo. Ando para a parte de trás do avião e sou seguido pela mira do sniper. O filho da puta não me deixa quieto um segundo só. Não me lembro de quem está nessa função, mas juro que darei uma surra dos diabos nesse infeliz. Matar Irana com certeza vai provocar mais baixas e nos deixar mais vulneráveis aos ataques terroristas.

Ivan


"Você pode me chamar de número 1."

Começo a conversa, já perguntando ao "1" o que eles queriam, como poderíamos ajudar e qual a quantidade de reféns que eles tinham sob poder. Ele não deu muitos detalhes, mas seu sotaque acentuado me lembrou algo como um irlandês, não um eslavo, como havia pensado antes. Os reféns que nós conseguimos libertar fizeram parte de um esquema bem maior que um simples sequestro aéreo.
"Você ouve. Eu falo. Você irá descer aqui, na parte de bagagens do avião, desarmado e sem escuta. Providenciarei para que isso realmente aconteça, sob a pena de um refém morto para cada desobediência por sua parte ou o resto dos policiais. Antes de descer para cá, você irá ordenar a imediata evasão de TODA a sua equipe desse avião. Com exceção de Irana e você; caso não saiba, ela faz parte do time que entrou aqui, provavelmente na mesma equipe de abordagem que você está participando. Ela é nossa infiltrada e irá fazer a sua custódia. Nada que você pensa importa para mim ou para os meus amigos. Agora vá, dê as ordens, sem que os outros saibam da condição de Irana."
Chamei a equipe toda à cabine de vôo. Alguns se demonstraram surpresos, outros aliviados, já que o ar condicionado não funcionava e o calor começava a incomodar. Stanz não autorizou a manobra. Tive de colocá-lo na linha com o número 1. Após uma conversa rápida ele cedeu. Estávamos perdendo espaço. E eu, mais ferrado do que imaginava.
Dei um toque na policial e ela cuidou do resto. Colocou praticamente todos os homens pra fora da aeronave e fechou uma das portas da cabine. Sem ela perceber, manchei seu colete com uma tinta indelével e invisível ao olho nu, só perceptível através de um equipamento de visão noturna. Fiz isso na esperança que nosso sniper entendesse, pois a cabine era escura e ele deveria estar usando esses óculos. Irana seguiu em frente e parou no primeiro lance de escadas. Sempre séria, ordenou de forma mecânica que eu me disvencilhasse de minhas coisas. Senti vontade de rir, mas a obedeci, sem nunca deixar de olhar nos seus olhos e odiar o que estava acontecendo.
Agora sou uma pomba sem asas num covil de cobras famintas. Desarmado, sem colete a prova de balas e sem comunicação. Só a minha camisa preta e minha calça. Nem a joelheira passou desapercebida por Irana. Descemos, eu na frente, sendo rendido por Irana e a MINHA submetralhadora. Um dos guardas me parou e mandou que eu tirasse as calças, botas e camiseta. Fiz tudo o que ele me mandou e ele entregou uma roupa ridícula, que mais parecia de entregador de pizza. Algo ligado ao aeroporto. Acho que uma roupa de orientador de tráfego de pista. A vesti, e percebi que Irana ria pela minhas costas, a vadia devia estar se deliciando: "Olha esse otário. Mal voltou de uma operação frustrada e está aí, servindo de isca de tubarão."
Contei 34 passageiros e 7 membros da equipe de comissários. Todos amarrados e entrelaçados. Cada um amarrado no outro. Quietos. Alguns dormindo, suando, com medo, pânico. Presas dentro da jaula. Notei alguém me fitando, do outro lado, me chamava com gestos. Fui andando e marcando alguns detalhes que poderiam salvar vidas. Mas não era hora para falso heroísmo, até porque eu não tinha condição alguma para tanto. "Você é o policial? Ótimo. Olhe essa foto. Esse é Ivan Mardrek Svanovic, preso no seu país há 23 anos. Daqui a pouco ele virá aqui para falar com você."
Confesso que não entendi uma palavra do que esse idiota me disse, mas, mesmo assim concordei e não respondi nada. Apenas lamentei que a Inglaterra pudesse ter dado essa mancada. O tal Ivan aparece e me ri, dizendo:
"Sou o número 1, pateta. E você, Agente Paul, vai contar ao público inglês toda essa nossa tragédia com hora marcada. Dentro de 20 minutos, outro avião, só que dessa vez militar, pousará ao nosso lado, trazendo nossos brinquedinhos explosivos. Sei que está doido para oferecer isso e aquilo para acabarmos de vez com essa palhaçada. Mas, lembre-se disso: essa é uma missão suicida. Todos aqui estão preparados para morrer, menos essa corja de americanos, espanhóis, suíços, alemães, esses turistas idiotas que ainda acreditam na beleza dessa merda de Reino Unido."
"Olha, Ivan, não sei exatamente o que vocês querem, mas ainda acho que podemos pelo menos tentar outra saída. Principalmente se há política no meio disso aqui tudo. O que não vai acontecer é mais gente ter que morrer pra darmos um fim nisso, você concorda?"
"Agente Paul. O senhor é mesmo um babaca nato. Tem todos os vícios que um policial metido a esperto poderia ter, só que hoje essa negociação será frustrada. Várias pessoas, inclusive nós dois vão morrer aqui, nessa espelunca que chamam de aeroporto. Minhas condições serão as seguintes: o senhor e essa leva de turistas espantados irão permanecer aqui até o próximo avião pousar. Daí, um a um, levanta e vai até a pista, todos misturados à minha equipe, inclusive Irana e você, que, no caso, terá sua identidade confundida com a de um orientador de pista. Nisso, iremos carregar esse avião aqui com explosivos e voltar o outro para o hall do aeroporto, o senhor me entende?"
Acenei com a cabeça e me lembrei do spray na roupa de Irana. Farei o máximo para que o sniper, agora supostamente sem o equipamento infra-vermelho perceba. Não sei como, mas terei de retardar esse plano em 12 horas, para que o dia acabe e a penumbra me ajude. Pedirei tempo, vou tentar negociar mais.
"Não há possibilidade de acordo com esse governo, Ivan. A política anti-terrorista inglesa vai massacrar todos nós. Nenhuma aeronave irá conseguir se aproximar daqui. O espaço aéreo de toda a Inglaterra e, talvez da Europa está sitiado e mantido sob vigilância da Aeronáutica Real e outras esquadrias. Se brincar até os norte-americanos estão aqui. Sou da polícia local, mas tenho influência na Interpol, posso te ajudar a sair daqui, até me disponho a ir ao destino final. Conseguiremos asilo político de onde vocês vieram. Mas clamo pela paz. A qualquer custo."
"Bem, meninos, temos aqui o que chamo de talento disperdiçado. Talvez se fosse um líder de esquerda ou mesmo da situação dessa engano que é a Inglaterra, o senhor tivesse mais fortuna. Mas não, vc é a corja, parte de um sistema falido e prepotente, a merda da sociedade. O anti-herói, que hoje vai ser o nosso palhaço, nosso bobo da corte."
Todos, inclusive alguns reféns riram. A vontade que me dá é a de pular no pescoço desse velho idiota e puxar suas veias uma a uma, com minhas próprias mãos. Acho que até devo fazer isso, mais pra frente. Ouço o estrondo de uma granada vindo do chão. Somos nós, com certeza. E agora melou tudo de vez. Coordenadamente, 6 criminosos saem em fila dupla, uma formação meio burra, mas que de vez em quando funciona. O duro é que Ivan, o número 1 está puto. Muito puto.

Retorno


Um mês passa rápido na cabeça de quem não se aquieta por nada. Não descansei, não cuidei do meu ferimento e fiquei pendurado em todas as modalidades modernas ou não de comunicação. Não me despluguei do mundo. Pior. Fiquei inerte e com a cabeça ávida, cheia de esperança e de raiva. Muita raiva mesmo. Minha companhia foi minha velha e bela pistola. Uma 9mm que teimo em guardar comigo, mesmo sabendo que na Coorporação existem melhores. Mas essa tem até nome, sobrenome e sabe exatamente o que penso. Velha amiga.
Quando Stanz me pega para a volta ao batente, noto o ar de felicidade no cara. Pergunto: "Tá feliz em me ver ou isso é alívio?" - Stanz responde "os dois". Bem, daí já começo a imaginar o que vem pela frente. No caminho, seu parceiro, um tal de Gooth, me interroga, faz um monte de perguntas idiotas e chego até a pensar que ele fora instruído para isso. Não vacilo e disparo aquela pergunta que nenhum policial gosta de ouvir: "É da Corregedoria?"
Agora o cenário é diferente. Temos de abordar uma quadrilha, de, aproximadamente 15 caras dentro de um avião. Nos deslocamos até o aeroporto e começo a ouvir as instruções de Stanz, novo chefe de equipe. Devemos cortar o fornecimento de energia do avião, depois de identificarmos quem é quem lá dentro. Espero calmamente suas instruções ecoarem no hangar e protesto: "Stanz, não dá pra identificar sem sermos vistos. Devemos negociar com eles. Esse tipo de gente tem demandas e elas em geral são políticas." Ele me ouve e dá um não com a cabeça. Despacha as equipes: Hotel, Bravo e Papa. Três equipes de seis policiais. Todos de elite, especializados em abordagem de alto risco. Mantenho meu protesto e sou chamado de lado. Stanz me dá um esporro daqueles e diz que isso já teria sido cogitado, que eu não era mais o chefe, blá-blá-blá...
Humildemente me junto à equipe Papa. Somos o pelotão de frente. Entraremos depois de mandarem uma bomba de mostarda para o sniper fazer nossa cobertura. Vamos pela cabine de pilotagem. Aguardo acuado a um trem de pouso. Um de nossos equipamentos de escuta, colocados pelo nosso negociador no avião me deixa ciente de tudo: Eslavos. Mais ou menos dez deles. Não dizem nomes, chamam pelos outros por números. E não tem uma sequência numérica. São criativos. Não apelam para a violência, mas mantêm a rigidez. Profissionais. Tô fodido.
Minha submetralhadora agora recebe o suor de meus dedos. O gatilho está encharcado. Olho para o relógio: oito e cinco da manhã. Sol brando, meio nublado, porém tempo firme, sem possibilidade de chuva. No ouvido direito, escuto o áudio do interior da aeronave, no esquerdo, os comandos de Stanz e todas as equipes. Vejo que no meu "time" temos uma moça. Acho que ela veio de outra circunscrição, tem cara de latina. Não diz nada. É profissional, ou está se cagando de medo também. Nossos olhos se cruzam e tento um aceno com a cabeça. Nada. Nem responde. Olha pra cima e me aponta, com sua arma, onde tenho de entrar. Minha vez chegou.
Temos um martelo, com ponta de diamante, capaz de quebrar algumas espécies de vidros. Mas aqui, os vidros são revestidos por outro material, um acrílico acho. Dou uma pequena batida só para ver o que daria. Um pequeno furo me garante a quebra do vidro. Olho pelo pequeno espelho alçado e não vejo alma na cabine. Bomba de mostarda. Quebro o vidro aguardando que minha equipe entre por duas de quatro ventanas. Todos entram. Sigo atrás. A moça lidera e fazemos uma formação em V. O vértice de nossa equipe é uma mulher que nem sei o nome, de onde veio, pra onde vai, mas foda-se. Meu coração disparado, minha vista estatelada, não suo mais. Porrada. Agora é a hora da porrada. A equipe Bravo, que entrou pela emergência anuncia duas baixas inimigas. Abrimos a porta. Há outra, fechada e toda arrebentada de tiros. Cartuchos no solo indicam que alguém esteve ali empunhando uma Kalashnikov. Beleza. Vai ter porrada! Começo a pensar que nem um lobo louco sedento. Não sou mais uma tábua de medo. Entramos. Pé na tábua. Um deles de costas é atingido na coxa. Outro se joga ao chão e detona uma rodada de sua AK-47. Bravo e Papa abatem o do solo. Piso no pescoço do primeiro atingido. O interior da aeronave tem um cheiro de amendoim. "Cianureto!" Eu grito. Mas em vão. Uma granada de fabricação caseira estava em uma das portas derrubadas por nós. Ela gira e lança o gás rapidamente. Um dos reféns grita e tosse. Mando calar a boca e vestir a máscara de oxigênio. Nossa líder interfere e não autoriza ninguém a vestir as máscaras. Entendi o recado e continuo em frente. Stanz me chama, não respondo e abato mais um. Esse é o número 4 em baixa. Um dos nossos, da equipe Hotel tenta algo e acaba morrendo. Estava no compartimento de bagagens. Já estamos errados. Uma baixa policial é algo não tolerado e pode significar várias baixas civis. Os sequestradores não usam capuz. Estão vestidos com roupas comuns e sabem se movimentar dentro do avião. Na certa estão acuados no bagageiro com alguma "surpresa." Stanz me chama de novo. Agora respondo. Ele me destaca para baixo, para acompanhar Hotel. Vou, enquanto Lafforgh, esse o nome dela, lidera a saída de reféns. São dois andares de passageiros, sala de máquinas e compartimento de carga. Desço, acompanhado de outro Anti-Sequestro. No andar de baixo Hotel mantém a segurança de alguns reféns e de parte dos comissários de bordo. Baloung me dá as coordenadas para eu descer e me assegura do perigo que seria. Peço para uma das aeromoças o microfone para falar com os sequestradores. Ela me guia até um moquifo apertado, onde há um telefone. Tiro meu capacete e ela me olha como se eu fosse um santo. Mando-a sair do avião. Ela nega, diz que sua compania aérea não permite que ninguém saia enquanto nada estiver resolvido. Foda-se.
"Alô; aqui é o Agente Paul. Com quem falo?"

Rápida


Chegamos ao Distrito. Eu, depois de ir ao médico e fazer um curativo meia-bomba na perna e o restante da equipe. A palestra hoje foi um azar só; broncas, xingamentos, decepções, perdas e muita besteira de quem estava com a cabeça quente e procurava descontar erros nos outros. O Delegado é assim mesmo. E tem suas razões. Mas não sabe nada de estratégia, não entra em campo seguro, não coordena bem uma equipe de resgate. A sua cabeça política não é mais o território seguro e austero de quem deve decidir rápido e não admitir falhas. Nosso treinamento, embora tenha sido na mesma época, foi diferente. Eu, por não ser Delegado, acabei ficando com a parte mais pesada; rústica e objetiva. Ele passou por algumas lições e acabou recebendo mais uma qualificação policial. Obra da política. Candidato a prefeito, com certeza nas próximas eleições.
O saldo realmente foi aterrorizador. Nada que uma simples equipe da S.W.A.T. resolvesse. Fomos burros e impulsivos. Não demos conta de uma situação simples e que não admitiria riscos. Eu reconheço que fui um dos que se levaram pela emoção. Um engano tremendo. Acho que preciso conversar com o pessoal, mas todos estão exaustos e cheios de raiva. Sem falar nos feridos e mortos. Linda, nossa chefe operacional, me chama no corredor. Não sei o que dizer. Fico estático e ouço mais uma saraivada de sermões que nem Moisés conseguiria escutar. Aliás, minha paciência se esgota a cada minuto passado aqui dentro dessa delegacia. Peço para ir embora. Mas o diabo do relatório tem que estar ali, do clássico jeito. Na mesa dela. Na mesa do Delegado. Na mesa do Comissário. Faço o que tem de ser feito, de cara amarrada, dores na perna e nas costas. Um quilo e meio de paracetamol, anti-inflamatórios e analgésicos depois, sou levado em casa. Repouso por um mês. Merda...

quinta-feira, 10 de setembro de 2009


Em questão de segundos uma mulher se coloca na minha frente. Ela aponta uma M-16 para frente e, provavelmente, uma pistola às costas de um suposto refém encapuzado. Deixo-a sair e comando o cessar fogo para a equipe de retaguarda. Mas mantenho minha arma em direção aos dois, caso isso fosse um blefe, estariam mortos. O Delegado não entende e começa a praguejar para que atirássemos. Digo que não. Para ficar quieto e negociar com a "suspeita".
Os dois conseguem sair, imediatamente são iluminados pelo facho de luz de nosso apoio aéreo. Comando a entrada e Stanz aparece no meu visual. Ele está ferido, mas consegue andar. Acho que acertaram o ombro do animal. Mas Stanz não titubeia. Segue firme. Me coloco à sua frente e dou os primeiros passos em direção ao andar de cima. Convoco o apoio aéreo para entrar pelas janelas depois do meu sinal. Não obtenho resposta. O Delegado manda eu parar. Paro. Respiro. Ouço a respiração fraca de Stanz. Mando ele sair com um gesto. Ele não obedece. "Stanz, sai daqui, você vai morrer, idiota!" Nada.
Beleza, espero e noto uma gritaria do lado de fora. Cinco disparos e oito respostas, todas do andar de cima. Subo as escadas, Stanz sobe também e notamos o quanto estávamos fodidos. Oito caras se voltam para nós e nem pensam. Mandam chumbo. "Merda! Merda! Desce, velho, desce!" Damos de cara com outra equipe que ordena a nossa volta. Me jogo no chão. Stanz joga uma granada de gás. Tento empunhar meu fuzil e tremo. Vacilei. Me chutam de lado e caio no térreo. A mulher me olha no fundo de meus olhos e atira. Atiro quase ao mesmo tempo. Nós dois caímos. Eu me joguei, ela sei lá o que aconteceu, mas agora estava sozinha. Ela tenta se levantar e descarrego outra rodada em direção ao seu joelho. Esmigalho a perna dela, grito e me levanto. "Abatida!"
Ouço os passos firmes no andar de cima. Muitos tiros. Vários gritos. Lanço fora o fone do meu ouvido e jogo fora também minha máscara. O som melhora. Meu ouvido agora só zune enquanto recarrego mais uma rodada no fuzil. Subo e dou de cara com o corpo de Stanz, sem arma e mole, sem expressão no rosto. "Médico!" Esqueci que não estava mais no exército e que a equipe médica estava no ar, em outro helicóptero.
As janelas se quebram com os disparos da M-50 vindos de cima. Os Anjos começaram a dar suas cartas. Mais uma vez no andar de cima visualizo agora cinco policiais contra seis sequestradores. Atiro em um deles e o jogo longe. Estava de colete. Atiro mais uma vez e erro seu pé. Me esgano de raiva e atiro em um dos seus braços. Acertei. Sinto uma picada de marimbondo na minha batata. Dancei. Caio no chão e grito, como se estivesse sendo ouvido. Mas não tenho mais rádio. Fico em posição de tiro deitado mesmo e grito para Murddock o meu nome. Ele me ouve mas nem se vira. Inferno no quintal do inimigo. Cápsulas caem no assoalho de madeira ecoando o som da dança sangrenta. Sou puxado e jogado escada abaixo. Carl sobe com uma calibre 12 espalhando o caos e a violência gratuita dentro do cômodo.
Acabou. O silêncio que vem é mentiroso. Uma calma aparente, empolgante e dura. Morreram todos. Pelo menos foi o que pensei. Gritos de dor se misturam às gargalhadas de uma voz que não conheço. Mais três tiros silenciados. Perdemos a batalha. Três reféns mortos e um sequestrador suicida. Vou ouvir muito essa noite. Nem sinto mais dor. Uma enfermeira pergunta se estou bem e não ouve nada de respota. Só um grunhido de raiva.
O Delegado entra fazendo não com a cabeça. Passa por mim como se eu fosse um abajur.

Camarões


Três e meia da manhã. Todos vidrados, acordados e aguardando ordens para entrar no cativeiro. Três reféns importantíssimos para o governo e nada relevantes para a sociedade esperam ansiosos pela nossa entrada. Aliás, eles nem sabem que estamos aqui, só devem desconfiar e achar que somos atrasados, que os gastos com a polícia local deveriam dar resultados, que políticos sequestrados seriam facilmente rastreados, essas merdas...
Só sei que meu nervosismo se transformou em calma. Uma calma perigosa de quem não sabe o que vai acontecer e que tem, por obrigação, manter a fachada de homem centrado. Murddock me olha e dá o sinal. Corre-se. Muito. O som de nossas botas incomoda meus ouvidos, penso que poderíamos ser alvejados de imediato. Mas o sinal seria dado só em caso de extrema decisão. Calculadas as hipóteses de sermos descobertos e subtraídas as chances de sucesso aliadas às nossas condições, começamos a entrar.
Dois tiros. Um deles, uma bomba de fumaça. O outro, uma de gás de pimenta. Várias armas são preparadas para o tiro dentro da casa. Começa a carnificina. Vejo que Murddock e Lavej são vistos. Lavej se esconde atrás de um carro e Murddock segue em frente fazendo zigue-zague. Tento dar cobertura, mas meu ângulo de tiro é cego. Não posso atirar, com medo de acertar um parceiro; jogo uma granada de luz e som, a famosa flashbang, preferida dos videogammers....Ela entra por uma janela e cumpre o prometido. Por 12 segundos não temos resposta do inimigo. Entro. Vejo quatro encapuzados, todos com pistolas e fuzis automáticos. Fico sem resposta e recebo uma ordem pelo rádio:"Anda, cara! Atira!"
Cinco polegadas abaixo de minha mira está uma granada pendurada no pescoço de um dos sequestradores. Não sei como, mas consigo explodí-la, provocando a morte dele e o ferimento dos outros três. Era uma granada de impacto, de 12 kg de força frontal. Russa, militar. Esses caras têm um fornecedor dos bons. Na certa é um dos que está como refém. Ouço o estampido da granada e saio da cozinha. Um erro. Não se entra no cativeiro e depois sai; se entrou, entrou e pronto. Mas meu ouvido esquerdo sangra e não consigo escutar porra nenhuma do rádio. Chamo a Central e comunico meu ferimento. Stanz me puxa para a direita e deflagra uma saraivada de cartuchos 9mm. Todos eles com endereço certo. As janelas do andar de cima. Vários observadores se escondem e saem da linha de tiro. Entendo o recado, espero a rodada de Stanz terminar e logo em seguida dou o meu recado. Consigo acertar um deles de raspão e corro em direção à casa. Só que agora mudo minha entrada. Stanz me substitui e entra pela cozinha. Ninguém o recebe. Estão na parte de cima mesmo. Murddock canta a pedra pelo rádio. "Granada!" Outro barulho seco. Mais uma flashbang. Um grito de socorro é seguido de dois disparos silenciados. "Perdemos um refém,imaginei."
O sangue nos olhos dos sequestradores se transforma pouco a pouco em medo. Um deles resolve se entregar e é morto antes de colocar a arma no chão. Um erro nosso. Mas a possibilidade de blefe nos ajudaria em um processo administrativo. Não é hora para se pensar nisso. Entro na casa e não vejo nada. Uma fumaça verde com cheiro de pimenta do reino entra pelas minhas narinas e começo a tossir. A merda da minha máscara não está mais funcionando...

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Um pouco de Metal


Rapazes e moças da Interrede de computadores. Passo do pressuposto aqui nessas próximas linhas que Heavy Metal is the Law. Uma música do Helloween já dizia isso. Outra, do Gamma Ray afirma que estamos no Heavy Metal Universe. Manowar prega que os Gods Made Heavy Metal. Poucos exemplos de como esse estilo cheio de nuances, mitos, preconceitos e adoradores resiste ao tempo. Mais do que Rock and Roll, o Metal, algo que acreditam ser do fim da década de 60 é mesmo um meio de vida. Metaleiros integram uma sociedade nada secreta de amantes da música. E não é só o Metal. Esse, é o predileto, o que faz pensar, memorizar fórmulas de Física, amar, odiar, por para fora os capetas e, mais do que outra coisa: tocar instrumentos invisíveis. Rapaz...Não tem Metaleiro que se preze que não saiba TODAS as partes da guitarra, baixo, bateria, teclado e voz....Além de outras coisas menos ortodoxas. Basta ir a qualquer lugar em que esteja presente o som metálico e você verá: uma legião de músicos virtuais que estão cagando e andando se é normal ou não esmurrar mesas, bater nas pernas, no ar e fazer expressões de artistas em shows. Isso é paixão, devoção, não se explica. Também, explicar pra quê? Se é gosto, dane-se. Ou F...-se!
Homens, mulheres, animais e até alienígenas acreditam que é a única forma de satisfação em muitas merdas que acontecem na vida. Ou mesmo um jeito de tomar bebidas com amigos e comer pedaços de carne, de nachos, petiscos.
Headbangers, the wolrd is yours too! UP METAL! HAIL!

Goiânia é de Direita


Motoristas, motociclistas, ciclistas, pedestres e outras partes integrantes do nosso querido trânsito goianiense. Prestem atenção em uma coisa: nessa cidade, quase é impossível virar à esquerda. Isso. Essa simples mudança de curso, de uma reta para uma via canhota. A maioria dos sinais daqui são proibitivos, eles mandam o condutor para uma longa reta ou mesmo forçam uma virada à direita, para depois virar a direita de novo e, assim, ficar de frente com aquela via que antes ficava a poucos metros do seu painel. Isso é ridículo. Uma disfunção estomacal e venosa da nossa corrente marítima de carros, motos, ônibus e carroças. Como é que pode uma Agência Municipal de Não-Sei-o-Quê concordar e fazer isso. Olha, são poucos, pouquíssimos casos de sinais de trânsito que permitam essa conversão de faixa. Ao invés disso, é mais rentável encher as ruas de fotosensores, indisgestamente apelidados de pardais (coitados dos pássaros) que multam, multam, multam os condutores que não encontram UM Agente de Trânsito para lhes INFORMAR como é que vai para a rua tal....
Lembrem-se: TODOS anos pagamos IPVA, DPVAT, LICENCIAMENTO, taxas abusivas de registros, de habilitação, renovação de carteiras, multas, juros...Ande por aí, pelas T's, C's, 121234242's da vida. Você vai perceber que quase é impossível virar à esquerda! Se isso é inteligência de uma Engenharia de Tráfego, prefiro a burrice de cidades como Belo Horizonte, Fortaleza, Cuiabá, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba. Nessas e em outras cidades do Brasil não é um pecado você virar para o outro lado senão o do meio-fio (guia).
E viva a esquerda e sua conversão!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Cena do Crime II


O vento é abafado, mesmo de madrugada. O rosto de Smith é algo aterrorizante. Mesmo assim tentamos manter as aparências e o levamos até ao Distrito. Lá, o relatório frio e calculista de um assassino passional. Ele sempre afirmando que não era a primeira vez que ameaçara a mulher e que isso um dia iria acabar acontecendo. Inspetor Murddock e eu só conseguíamos fazer cara de nojo enquanto acompanhávamos o depoimento. Delegado Schwartz era taxativo e estava deixando bem claro o quanto sua noite de sono perdida iria custar ao acusado. Nada de perdão. Nada de Direitos Humanos.Só o óbvio. Raiva. Ódio e vontade de terminar com aquilo tudo.
A vantagem da prisão em flagrante é que em alguns casos, dá menos trabalho. A burocracia de um inquérito é menor. Mais sucinta. Nada faz, porém, que ela não exista. E é a pior parte de uma prisão; você sabe que o cara está errado, ouve toda a sua versão, umas dez vezes, colhe os seus dados, documentação...Um saco! E ainda dá pena. A maioria das vezes sentimos pena dos que são pobres, sem condições de defesa ou mesmo de criminosos de primeira viagem que se mostram realmente arrependidos. O trabalho tem de ser feito. A qualquer custo. Até pois, se pensar em mim, poderia estar em lugares diferentes. E a Lei é cega. Pelo menos deveria ser.
Murddock sai da sala do Delegado e me chama pra um café. Vejo que meu velho parceiro e amigo está acabado. Vários são seus sinais do tempo. A feição de um nômade que já atravessou muitas tempestades de areia, o cansaço de seus olhos, a bruta face marcada por expressões e a voz. A voz de Murddock é cansada, rouca e cheia de preguiça. Tomo café e me pergunto: "Será que é assim que vou ficar?" Sei que é. Mas que merda de vida. O café então, parece mais o resultado de uma lavagem de panos. Porra de café ruim.
O Delegado libera o acusado. Lentamente o levamos até a carceragem e digo: "Não adinata você dar uma de engraçadinho agora, Smith. É para lá que você vai." Ele nem titubeia e olha sempre para a frente, parece aceitar o destino e seu arrependimento é nulo. Entra na cela, o barulho da tranca (o famoso "cambão") o assusta. Agora parece que a ficha caiu. Ele chora e pede para que saiamos dali.
Voltamos ao local do crime. Os peritos ainda colhiam provas materiais e uma senhora me interrompe.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

D I A S




Realmente. Semanas passam rápido e a gente nem se lembra do que fez. Bem, pelo menos isso acontece comigo direto. Principalmente se a correria for capaz de tirar até o sossego do mais calmo e centrado ser humano. Se você fizer um esforço para lembrar o almoço de segunda passada (sendo hoje sexta-feira), talvez, eu repito, talvez não se lembre.
Mas até aí tudo bem. Já reparou, no entanto, que a memória funciona quando a coisa é realmente muito boa para você ou alguém que gosta? Putz. Impressionante, nosso cérebro passa a filtrar o que gostamos de lembrar, quem gostamos de ter encontrado, situações boas, bebidas legais, lugares legais...Os acontecimentos que nos traumatizam ficam lá, na memória, quietinhos, guardados. Em questão de segundos, algo nos faz lembrar dessas coisas ruins que acontecem na vida de cada um de nós. Estamos seriamente vigiados pelo inconsciente e pela nossa capaciade de associar as lembranças. É o nosso "Personal Big Brother."
Um camarada uma vez disse ao meu pai que "É muito melhor ouvir besteria o dia todo do que ser surdo, né, doutor?" O grande Roberto riu e concordou. Realmente. Deve ser. Mas não sabemos como é a realidade de um deficiente auditivo. Se, pelo menos soubéssemos, notaríamos que ele também "ouve" besteiras o dia todo. E fala também. Tanto que quem garante que ele não sofra do mesmo mal: a perda de memória recente?
Procure na Super Interessante da vida. Uma matéria, de uns 10 anos atrás falava sobre as qualidades de nossa mente lembrante. Escolhemos o que queremos lembrar. Ou mesmo nosso cérebro nos instrui para que isso aconteça. A merda é que nem sempre funciona. Gostaria de esquecer o jogo do Flamengo da última quarta, válido pelas quartas-de-final da Sulamericana. Vi um time fraco, sem jogadas, burocrático no primeiro tempo. Sem reserva. Isso! Foi a campo com um jogador a menos no banco. Resultado de uma série de "visitas" ao Departamento Médico do clube por parte do plantel de jogares. Aliás, convenhamos, DENIS MARQUES não presta no Flamengo. Ele é esforçado, sortudo, mas, CRAQUE...Isso não é. Há tempos não vejo alguém assim no Fla. O que me lembro (tá vendo) é um bando de jogador come-dorme, que vive no oba-oba noturno e que é endeusado pela Magnética Enfurecida.
Você que tem mais de 30 primaveras sabe que todos os times tiveram sérios desfalques, políticas de roubo descarado por parte dos cartolas e muita, muuuuuuita venda de jogador mal sucedida. E as compras? Prefiro nem lembrar.
As coisas de nosso cotidiano são mesmo as mais simples. Ou não. Basta lembrar delas! Ou não. Ou...Me esqueci!

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Ah nem, passa amanhã!



Essa briga entre senadores é mesmo algo estrambótico. Outros assuntos sempre se esvaem com o tempo, esse é um dos que vão demorar. O porquê disso está aí, no próximo ano eleitoral, em 2010. Todos esses episódios, desde o Mensalão, Mensalinho, dinheiro na cueca, tudo isso voltará à tona.
Ainda que os pessimistas digam que não, que isso é manobra da imprensa, o bom é ficar sabendo do que se passa por lá. Nosso Senado, é uma das casas mais importantes, senão a mais relevante dentro da política. Ontem, assistindo ao Jornal da Noite, na Band, vi uma discussão patética entre Suplicy e Sarney. Patética pois os dois estavam na hora errada e no lugar errado. Enquanto o presidente da casa lia uma homenagem ao nosso Euclides da Cunha, Suplicy o interrompia, arguindo sobre os escandalosos atos de Sarney e sua pequena família senadorística. Bem, nada contra, mas pô, Suplicy, isso dói. Não é à toa que o Mercadante (aquele que é líder do PT que falou que iria sair da presidência do partido e voltou atrás - no Twitter) lhe telefonou e aconselhou ao senhor a primeiro ler o seu manifesto, para depois, assim, com apoio dos demais senadores, poder falar alguma coisa. Achei até legal, muita boa vontade do senador paulista, mas, a HORA não era essa. Sim, acredito que estava sendo defendido o interesse popular, mas a impressão que deu foi a de duas crianças querendo aparecer para a mamãe. Uma dizia: "Olha como sou inteligente! Sou membro da Academia de Letras e homenageio aqui o Centenário de Euclides da Cunha!" - Em resposta, a outra: "Mãe, olha o que ele fez! Quebrou a casa toda, me machucou e agora fica dando uma de santo!"
Putz, caro leitor. Que situação. Você imagina só, um cara sair do Amapá, o outro de São Paulo USANDO NOSSO DINHEIRO PARA PAGAR AS PASSAGENS pra um bate-boca? Caramba! Democracia é isso, a liberdade de expressão em sua mais alta performance. Mas, quem é que paga? Cadê nosso salário mínimo? Onde foi parar o dinheiro do Mensalão? Ei! Quem da sociedade pediu para que o processo contra Sarney fosse arquivado?
Welliton Carlos, grande guitarrista, advogado e jornalista sempre acompanhou essa peleja. No seu blog, que está no endereço do Jornal Diário da Manhã, desde o começo do ano tem a torcida pelo fim da Era Bigode. Olha, até concordo em retirar o José de lá, mas, convenhamos, quem sobra?

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Música para os Olhos


Wynton Marsalis, um dos expoentes do jazz mundial é mesmo a vigésima terceira potência da Constante de Avogrado. Lembra? Número de Mol? 6,0221415 × 10²³ mol-1 ?
Então, ele, nas suas viagens de trompetista (uma das mais famosas é a "Vôo da Mosca") nos dá a dimensão de como os meninos pobres, negros (ih, esqueci, afrodescendentes) e talentosos se destacam na música.
O jazz é, segundo o site EJazz, "um termo que foi usado no final dos anos 10 e início dos anos 20, para descrever um tipo de música que surgia nessa época em New Orleans, Chicago e New York. Seus expoentes são considerados "oficialmente" os primeiros músicos de jazz: a Original Dixieland Jass Band do cornetista Nick LaRocca, o pianista Jelly Roll Morton (que se auto-denominava "criador do jazz"), o cornetista King Oliver com sua Original Creole Jazz Band, e o clarinetista e sax-sopranista Sidney Bechet. Em seguida, vamos encontrar em Chicago os trompetistas Louis Armstrong e Bix Beiderbecke, e em New York o histriônico pianista Fats Waller e o pioneiro bandleader Fletcher Henderson. Em 1930 o jazz já possui uma "massa crítica" considerável e já se acham consolidadas várias grandes orquestras, como as de Duke Ellington, Count Basie, Cab Calloway e Earl Hines."

Marsalis ouviu essa patota toda e ainda por cima tocou com Miles Davis, Jack Dejohnette, Art Blakey, músicos brasileiros renomados (Tom) e uma centidúzia de gente fina. Uma das marcas que mais me chamam a atenção em Marsalis é sua versatilidade no trompete. Se você o ouvir, verá (ehehe) que as frases musicais não são meras inserções. Uma gama de variantes musicais e dissonâncias ecoam nos sopros do mestre. O trompete não soa daquele jeito "matraca", que machuca os ouvidos em muitos casos. A agudez sonora das notas de Marsalis é um carinho nos tímpanos. Mas ele sabe ser agressivo também. Leva tudo a sério. Dentro e fora da música.Sua família é de músicos, seu pai, irmãos, tudo no sangue.Uma aula!

Liberdade




Eu digo sim aos jogos de computador. Mesmo sabendo que a opinião hipócrita e difamatória da maioria seja contra alguns (violentos, polêmicos, bizarros...) eu digo sim.
Computadores têm a capacidade de aumentar a coordenação motora, a perspectiva visual de campo, o raciocínio, a psique....Hehhe. Lógico que em alguns casos, leva-se ao extremo o uso das máquinas. Lembre-se de que seus parentes distantes adoram receber cartas, com sua letra, as fotos impresas, os comentários de sua vida. Mesmo por e-mail, é comum o esquecimento parental.
Voltanto ao assunto: Counter-Strike, GTA, God of War, entre outros, são alguns dos jogos que os "Extremamente preocupados com a psicopatia generalizada pela informática" execram. Olha, se o sujeito assistiu ao filme "Um dia de Fúria" com o Michael Douglas, vai se lembrar bem como a ira, a raiva, o desejo de matar todos funciona. Na prática mesmo. Eu, se não fossem esses jogos, certamente teria um dia desses na vida. Talvez você também tivesse. Então. Pra quê criticar esses jogos como se eles fossem professores de mau comportamento? O cerne do problema de distúrbio psiquiátrico é bem mais profundo que uma simples jogada em lan houses...
Sim. O jogo mexe com a catarse, mexe com a mente. Mas evita que atitudes idiotas aconteçam. É simples: classifica-se o jogo em Para Maiores ou não, e pronto. Como é feito com os filmes. Se isso não funciona na prática, problema! Censurar a venda dos jogos só aumenta o desejo de todos (principalmente as crianças) em adquirir e jogar! É bom jogar! É até um instrumento de socialização. E como qualquer coisa na vida, merece a atenção quanto à dosagem.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Ops

Ando em falta bloggueiros. Estudando. Vcs me entendem, né? Não. Eita. Então tá. Alguns vídeos muito engraçados do tubiz estão no Blog do Sapo Velho Gordo. Olhem lá, please:

http://sapovelhogordo.blogspot.com/


Abraços!

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Cena do Crime.




Segunda-feira. Quatro e meia da manhã. Eu e Murddock estamos no meio do nada, em uma casa simples, na beira de uma rodovia estadual. O fedor é insuportável, algo como fósforo misturado a outro composto, talvez alguma química, não sei ao certo. Meu parceiro tira fotos da mulher morta. Seu rosto não é comum, mas tem traços familiares. Suspeita de crime passional. Marido violento. Entregava sua alma ao coisa ruim mas não levava desaforo para casa. E nesse dia ela revidou.
Depois de uma bebedeira quase sem fim, ele chegou em casa e começou a praticar seu esporte predileto: bater na esposa. Ela, quase indefesa e mais uma vez pega de surpresa enquanto dormia, desmaiou. Smith, como era chamado pelos vizinhos, parece não ter acreditado no desmaio de sua mulher e praguejou bem alto, para que todos ouvissem: "Não passas te hoje, mulher. Terás teu destino traçado por minhas mãos!". Foram vários os golpes, e ele não mentiu. Desferiu todos com suas próprias mãos. Mãos de quem trabalhava, não era desonesto, porém, alcoólatra e covarde. Muito covarde.
Quando chegamos, a polícia local nos deu os detalhes. Eu e Murddock apenas estávamos cumprindo com a praxe legal, a perícia. Algo praticamente desnecessário para a vizinhança, mas que faz muita diferença em juízo. Aliás, arguí alguns vizinhos o porquê deles não chamarem a polícia em outras ocasiões. "Medo de apanhar. Ele era muito violento e não perdoava ninguém. Merece a perpétua." Aí já não é comigo.
Patrulheiros trazem Smith. Ele me olha como uma águia olha uma presa. Devolvo o olhar. Deixo bem claro que seria nossa primeira e última conversa.

Operações da Polícia Federal

Opa. Ando sumido. São coisas e mais coisas, mas vá lá. Você é bem-vindo aqui. Que nem diz aquele mineiro arretado "Strodia" eu tava assistindo TV e, mais uma vez, percebi o quanto os PF's são criativos. É cada nome para as operações. Virgem Maria! "Operação Tatu", acho que seria um nome bom, esse, pra ver se alguns cartolas do futebol brasileiro fossem realmente desmascarados.
A coisa é séria. Times, que na verdade são empresas mesmo, fazem o que querem. Mexem com os brios de uma paixão brasileira e vão ao Congresso reinvindicar isso, aquilo, vantagens, aumento de verbas de imprensa e tal. Uma dessas manobras foi feita totalmente de acordo com a Lei ( já que esse povo não é bobo mesmo ) e transformou nosso plantel de jogadores em verdadeiros manequins de vitrine. À procura de novos talentos, um certo olheiro aí veio à Goiânia e pesquisou em 4 times ( todos da capital ) por um médio volante. Parou no Goiás Esporte Clube, time que representa o Estado na Série A e gostou de um garoto lá. O negócio é que essa posição, mais precisamente de meia esquerda, é uma das fraquezas do Goiás. Não param jogadores bons. Ninguém parece querer ser o tal do meia esquerda. Mas, que merda! Como um time que tem estrutura, técnico, campo (s) de treinamento, torcida ( meio brocoxô às vezes, mas deixa quieto...) e não tem aqui em Goiânia mesmo um meia? Porque esse jogador vem, na maioria das vezes de uma lateral esquerda improvisada ou de outros estados? Porque diabos, Doutor Presidente do Goiás, que os garotos das categorias de base são vendidos por preços irrisórios? Qual é o investimento que o clube tem para retornar à torcida esses preços escabrosos de ingressos?
De antemão: não sou torcedor do Goiás. Mas acompanho ( até mesmo porque gosto de futebol ) a sua jornada. Sei que é um time coeso, merecedor de títulos, Hélio dos Anjos que o diga: o cara simplesmente desabafou na última final do Goiano. Disse que "Sempre temos a obrigação desse título. Campeão Goiano é dever de casa para o Goiás, a torcida cobra, a diretoria cobra e vocês, da imprensa, nos cobram diariamente. Aí está a resposta. Somos campeões mais uma vez. P...!". Beleeeeeeza, Hélio, o senhor tem razão. A cobrança sempre é assim mesmo. E é mais do que obrigatória também. A nossa e a sua obrigação agora é: e aí, cadê o dinnheiro do clube? Paga-se os funcíonários administrativos em dia? Alô, Receita Federal, Operação Periquitoooooooooooooo!

Try A Little Bit Harder



Janis Joplin, a branca mais negra de uns tempos remotos aí, é atualíssima em tudo. Acho que até suas roupas, cabelo, atitudes, beberranças, drogas, amigos e seu jeito peculiar de fazer inimigos. Ela é uma mulher que dá pano para as mangas mais saborosas e longas...Hehhe. Que viagem. Mas, olha só: essa letra, de "Try...", já parou para prestar a atenção nela? Bicho(a), isso é mais do que um conselho, mais do que um esparro, é o começo dos manuais de auto-ajuda. Essa livraiada doida que nego compra adoidado e sai por aí espalhando idéias.
Pára-choques de caminhão ou não, esses best(a)-sellers são o máximo do consumo literário. Em praticamente todos os países desse nosso mundão, os mais vendidos. Os mais venerados. E, lógico, os mais "reproduzidos". As idéias, que na maioria, são simples e escritas a toque de caixa, chegam ao nosso cérebro na mesma rapidez de um spot de rádio. Parece que isso foi escrito para você, exatamente para essa situação e o pior, às vezes tem até seu nome no meio daquilo.
A literatura de auto-ajudo é um ramo mais do que ambíguo. Conheço uma escritora (aliás a conheço bem) que já pensou em escrever um desses pra ver se arrumava uns trocos. Mas a idéia principal dela seria um pouco avessa aos que existiam no mercado. Ela iria fazer um livro de auto-destruição, ou algo como um manual para ser entendido ao contrário. Só não o fez porque teve medo da repercussão e de algum maluco tomar tudo ao pé da letra e...Você sabe.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Independência ou Blog!



Isso aí! Rapaz, não sabia que escrever em blog era tão bom assim. Lanço mais essa campanha,"Independência ou Blog!", se, por acaso já existir, foi mal. Mas eita trem bão dimais da conta esse tar de brog, sô!
Ah, não costumo fazer muito isso não, mas vale a pena dar uma sacada no som da goiana In Bleeding. Eles trabalham um cd pancadístico e cheio de surpresas musicais. Versão goianiense do mais puro rock pesado, guitarras inteligentes ( elas pensam? Catso! ), baixo afinadíssimo e com peso de trator, batera quebrada e cheia de swing, vocal do grande vilanovense Alan e participações especialíssimas. Falo do Phobia, cd bom pacas que comprei pela bagatela de...Bem, não falarei quanto foi não.
Acostumado ao som pesado, esses dias me surpreendi adquirindo um cd. Isso mesmo. Essa coisa arcaica ( quem diria ) chamada Disco Compacto, para os bons brazucas. Scorpions Acustica. Em Portugal. Ando numa fixação com Portugal que acho que acabo indo lá ainda. Bem, sei que escolhi um dos ícones do Hard Rock. Alemães ( são alemães mesmo? ) cantando em Inglês sem sotaque. Numa demonstração de como um acústico pode soar leve e pesado ao mesmo tempo. Clássicos como "Hurricane" e "You and I" levados em arranjos novos, baladeiros e metálicos.
Será que existe um Deus do Blog?

Ode - Parte 2

O cheiro no ar agora é de pólvora. Um odor seco, que arde as narinas e faz os olhos lacrimejarem. Soldados correm sem sentido e não veem o perigo dessa manobra. Comando a formação em diamante. Poucos obedecem. Canhões dos tanques esfriam enquanto o inimigo atira sem cessar. De onde será que vem tanta munição!?
Recuar já não é possível. Agora é aguentar e sofrer. Pelo menos tenho aqui 12 de meus melhores atiradores. Todos espantados e doidos. Olhos vidrados, que não piscam e buscam movimentos. Suas armas, verdadeiras e fiéis, agora procuram alvos ágeis. Vejo que a tropa do Coronel Luz se aproxima lentamente. Morteiros agora são lançados nos dois sentidos, Norte e Sul, estamos colocando o inimigo em fogo cruzado. A tática até parece ser boa, mas é perigosa.
"Mãe 60" desfalece. Nossa principal arma de apoio, a M-60 está sem dono. Assumo seu posto. Nem sei o que fazer. Soldado Trévio me ajuda e começa o ataque. Isso é que é arma. Um tiro, uma morte. Contudo, esquenta demais. Tenho de dar intervalos e varrer o inimigo com um fuzil de assalto. Aqui cada ação parece demorar uma semana, mas só se passaram oito minutos. Oito. Coronel Luz consegue dispersar parte da retaguarda inimiga e os tanques se voltam ao seu pelotão. Hora de nossa ofensiva avançar.
Correr é preciso. Voamos. Cada um com suas armas e dentes cerrados. Afiados. Somos todos um agora. Parecemos mais um bando de canibais. Chegamos perto, costurando nossos passos em volta de cadáveres e falsos mortos. Granadeiro Luiz consegue eliminar um piloto de tanque. Golpe de mestre. Merecia uma condecoração. Mas agora, todo cuidado é pouco. Fomos descobertos mais uma vez.

Palavras


Meu pai disse agorinha que escrevo muitos palavrões. Ficou impressionado com a "quantidade e a freqüência (sim, eu uso trema) " das palavrinhas toscas. Pois é, nobre pai, aqui a cozinha de inspiração às vezes é temperada desse jeito. Mesmo assim, valeu pelo toque. Vindo de você acredito que seja construtivo. Aliás, não é a primeira vez que ele me faz essa "observação".
Aqui mesmo, Dr. Psiquê, tem um texto em defesa da Poesia. Aquele do trânsito. Pensamento positivo, "wishful thinking", sei lá. Li um Blog parecido, de um português, e quase não vi palavras bonitas. Palavras até bem estruturadas, bem escritas e distribuídas. Mas a maioria era de xingamentos.
Não sei se é a melhor maneira de se defender a Liberdade de Expressão, só acho que é uma vantagem não ser censurado (Obrigado, Blogspot). E contra a censura, o senhor sabe bem mais que eu: era engraçado ver como Chico, Caetano, Gil, Tom, Vinícius, Toquinho, Vandré e uma penca de roqueiros faziam para mascarar as letras, lembra?
Então, afasta de mim esse "Cálice" pai!!!!! Beijos!

Legumes, Carne e Vegetais

A Discórdia existe por causa da Concórdia? Hehe! Pois é, comer bem faz bem, viver bem também e outros "ens" são necessários. Um deles é o tal do Enem. Esse exame que é uma ponta de iceberg dentro de um deserto de frios e calculistas. Uma das dicas para quem vai prestá-lo é a alimentação. Aliás, qualquer conselho alimentício dado a um estudante é válido. O sono e alimentação são indispensáveis. Oito horas de sono para quem vai prestar um vestibular ( ou o tal do Enem ) parecem uma eternidade e poderiam ser gastas em fórmulas de Darwin, discursos de Platão, livros de Aleghieri e outras cositas más.
Enem é sério. Cotas para negros (afrodescendentes, tá, tá! ) também. Agora, o estômago é a parte mais frágil de quase todos humanos. Acostumados ou não a dietas saudáveis, somos perecíveis e morremos pela boca. Também. Aliás, você já bebeu água hoje? Um dos principais alimentos da face deste planeta habitado.
Amigos de Enem, comam, se alimentem, vejam cores em seus pratos de comida. Várias cores. A saúde é um dos itens obrigatórios em suas vidas.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Para Pensar


Banda de Moebius. Intrigante.

Pneus

Ora bolas, os pneus. São as peças fundamentais de um carro, por exemplo. Eles são movidos, movem-se, estouram, cheiram, fedem, atropelam e são até invejados. Muitos deles encontram-se em lojas, todos pimpões, cheios de silicone, a borracha novinha, que dá gosto. Outros, primos pobres e usados, em lixões. E como hay lixões. Espalhados em todos cantos dessa finita highway que é nossa casinha.
Eologistas defendem teses dizendo as datas de decomposição das borrachas malditas que equipam seus carros poluentes. Apaixonados por carros trocam eles em períodos curtos. Motoristas sem dinheiro nem querem saber dessa porcaria de pneu careca dos infernos que eu tenho de trocar senão aquele guarda filho de uma p.... vai me multar. A Dona Maria, uma das figuras mais respeitadas no trânsito brasileiro nem sabe o que é isso. Chama até de Coisinha! " Ô benhê, cadê o cartão daquela loja onde a gente troca os.....as.....coisinhas.......os pneus?". O certo é que essa raça de peça automotiva dá muito pano pra manga. Muitas matérias, algumas toscas, outras verdadeiros tratados jornalísticos. Alguma pagas, com certeza, mas várias vezes deparamo-nos com aqueles "malditos pneus poluentes" nos jornais.
Coisa de louco, realmente a importância que é dada aos nobres rodantes. Calcule: seu carro tem 5 pneus, todos recheados com aço, ferro, outras matérias-primas de renome internacional ( me disseram que até Kevlar, mas essa é boa! ). Daí a nobre borracha, sinteticamente esmagada após passar por um processo FEDORENTO PACAS, prensada, moldada e marcada por máquinas e mãos ágeis. Daí você roda uma média de uns 1000 km por mês. A inspeção dos seus pneus, deve ser feita semanalmente, para evitar desgastes futuros. Haja saco. Mas, dá pra fazer isso na mesma hora de olhar a água e o óleo. Digamos que a cada 3 anos você troque os pneus de seu carro. O estepe até pode durar mais, com a ressalva de poder ficar ressecado.

Se, em cidades de grande porte, a frota de veículos chega a números estratosféricos, imagine só o lixo, os despejos, montes de pneus que são formados pelo simples descarte? Será que esse papo de pneu reciclado te deixa confiante? Você usaria um pneu remanufaturado? Em defesa do meio ambiente? Se você respondeu sim, mas comprou um zerinho por causa da segurança da sua família é sinal que você prefere gastar um pouco mais para não ter dor de cabeça. Se não, foda-se, essa merda de papo de ecologista enche o saco! Quero mais é ver a marca do meu Michelin no asfalto....Bem...daí é problema seu. E nosso também...
Dá uma olhada nisso: tudo sobre pneus. Te garanto que tem coisa lá que você nem imaginava:
http://www.braziltires.com.br/tudosobrepneus/pneus.html

OOOOOOOoopa




Então. É isso aí. Como bem diz Pasquale Cipro Neto. As divergências no trânsito são verdadeiros achados e tratados do neo-terrorismo mental. Pequenas fechadas, xingamentos, ofensivas em ataque à motoclistas, tudo isso e muito mais perecem e padecem no dia-a-dia.

O quê diria qualquer poeta ao ser alvo de um navalha no trânsito? Será que ele faria poemas, poesias, daria cores aos acontecimentos. Será que nosso tráfego gorjeia mais que os de outros países? Tulipas! Flores! Orquídeas me mordam! Mas que sujeito mal-ajambrado esse que acaba de me fechar. Mas ele fechou uma porta e abriu outra, a porta da Poesia do Tráfego. Algo que irei tentar defender.

O mote é o seguinte: tente pensar em coisas boas nas horas ruins. Nem precisa ser Poliana, eu sei. Mas tente. Em vez de "Puta que pariu! Desgraaaaaaaaaaaaça! Filha da Puuuuuuta!", tente mentalizar outras palavras ou até figuras menos horrendas do que aquelas que aparecem na sua sala mental nessas horas. É difícil. O André, nobre amigo da Luta Armada Contra Instituições Sem-Vergonhas, que o diga, né André. Será que o Pietro vai dar conta de pensar assim? "Putz pai, que mercadoria mais sem classe essa que eu comprei no camelô..." Em vez de "Porra, pai, essa merda de pen drive ( se é que isso ainda vai existir daqui a 06 anos ) que eu comprei naquela merda de vendedor filho duma puta não presta!"

No trânsito isso seria divertido: o cara olha pra você e te manda a um lugar aí qualquer, perto de uma suposta progenitora....Daí....você responderia: "Flores pra você também! Pense positivo, nobre irmão!" Putz, já tem gente chamando isso aqui de viadagem, mas, saca só: se realmente isso funcionasse, as crianças, que pegam tudo no ar e PRINCIPALMENTE nas ruas, seriam menos desbocadas, não?

Os dados foram lançados.