O cheiro no ar agora é de pólvora. Um odor seco, que arde as narinas e faz os olhos lacrimejarem. Soldados correm sem sentido e não veem o perigo dessa manobra. Comando a formação em diamante. Poucos obedecem. Canhões dos tanques esfriam enquanto o inimigo atira sem cessar. De onde será que vem tanta munição!?
Recuar já não é possível. Agora é aguentar e sofrer. Pelo menos tenho aqui 12 de meus melhores atiradores. Todos espantados e doidos. Olhos vidrados, que não piscam e buscam movimentos. Suas armas, verdadeiras e fiéis, agora procuram alvos ágeis. Vejo que a tropa do Coronel Luz se aproxima lentamente. Morteiros agora são lançados nos dois sentidos, Norte e Sul, estamos colocando o inimigo em fogo cruzado. A tática até parece ser boa, mas é perigosa.
"Mãe 60" desfalece. Nossa principal arma de apoio, a M-60 está sem dono. Assumo seu posto. Nem sei o que fazer. Soldado Trévio me ajuda e começa o ataque. Isso é que é arma. Um tiro, uma morte. Contudo, esquenta demais. Tenho de dar intervalos e varrer o inimigo com um fuzil de assalto. Aqui cada ação parece demorar uma semana, mas só se passaram oito minutos. Oito. Coronel Luz consegue dispersar parte da retaguarda inimiga e os tanques se voltam ao seu pelotão. Hora de nossa ofensiva avançar.
Correr é preciso. Voamos. Cada um com suas armas e dentes cerrados. Afiados. Somos todos um agora. Parecemos mais um bando de canibais. Chegamos perto, costurando nossos passos em volta de cadáveres e falsos mortos. Granadeiro Luiz consegue eliminar um piloto de tanque. Golpe de mestre. Merecia uma condecoração. Mas agora, todo cuidado é pouco. Fomos descobertos mais uma vez.
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