
Acordo meio tonto e vejo o sorriso sarcástico de Ivan, "O número1". A vontade era a de esganá-lo, cortar as suas orelhas e oferecê-las aos seus comparsas. Mas o que acontece mesmo é uma seção de porradas na minha cara e uma sermão de merda. Ouço tudo o que um idiota poderia ouvir numa hora dessas. Que a polícia era isso, que eu era aquilo. Um monte de merda.
"Então, depois dos belíssimos tiros disparados pelo seu atirador de elite, temos aqui dois presentes para a Inglaterra: duas crianças, uma francesa e outra dinamarquesa. Esse lindo francesinho de 7 anos e aquela mocinha ali, vinda da escandinávia...11 aninhos de idade. Lindos, não?"
Dois tiros. Certeiros. Um na testa do francês e outro no meio do peito da dinamarquesa. Eu, preso a um banco, grito "Covardes" enquanto os passageiros pediam clemância. As duas crianças são arremessadas para fora do avião. O som que vem do aeroporto é de um coro uníssono. Arrependimento e fúria. Sei que seremos crucificados mais uma vez por essa ação leviana de adentramento que me parece frustrar qualquer boa expectativa. Mas não desisto enquanto não conseguir um acordo.
"Ivan, tudo bem, você me provou que é um homem de palavra. Agora está na hora de pelo menos amenizarmos essa situação. Me solte, deixe-me conversar com você e veremos o que posso fazer." "Ahahaha! O senhor pode morrer para começo de conversa. Mas antes, quero que diga aos seus espertíssimos superiores, usando o rádio do avião, que liberem a chegada dos meus convidados de honra. Eles chegarão em poucos minutos."
"Ivan, uma hora dessas eles já foram identificados e o vôo jamais pousará em lugar algum. A aeronática certamente vai abater o avião. Escuta o que digo." Ele dá uma palmada leve no meu rosto e diz: "Será mais uma demontração de desleixo desse país podre."
Tento, em vão, negociar com o Chefe de Polícia da Scotland Yard o pouso da outra aeronave. Ele me diz, enfaticamente que não negociaria com os interceptadores e que nada poderíamos fazer a não ser esperarmos o combustível da aeronave acabar e resgatar os ocupantes em alto-mar. Passo o comunicado aos sequestradores e eles riem bastante. Gargalhadas altas e nervosas ao mesmo tempo. Ivan pega um celular e disca uma combinação de números. Fico tenso. Passo a desconfiar que....E era mesmo. Uma parte do saguão do aeroporto explode. Um pouco abaixo de onde a polícia estava instalada. Meus dentes cerram e minha mente dói. Uma dor de cabeça da pancada que recebi misturada ao ódio. Estou impotente. Nada posso fazer. O rádio do avião começa a zumbizar alguma coisa. Ivan entra na cabine e diz, em alemão: "Isso que aconteceu pode acontecer de novo em qualquer parte da Inglaterra, Espanha, Alemanha e Hungria. Basta que os senhores me desobedeçam de novo!"
Nâo consigo ouvir a resposta, mas Ivan sorri ao voltar. Conseguiram o que queriam.