Após vários murros e pontapés, o torturador me deixou em paz. Nem sequer perguntou nada, não sei se pela falta de conhecimento de nossa língua, ou mesmo se estava ali só para "relaxar" meus músculos.
Não consegui dormir, até por medo de uma convulsão, por ter apanhado uma penca de vezes na cabeça. O que me assustou mais, além das surras que levei foi ter de ouvir alguns da tropa serem eletrocutados em outras celas. A violência contra os outros parece que dói mais do que em nós, em certos casos.
Uma sequência de saraivadas entrou através das paredes do meu "quarto improvisado", pelo som, eram nossos aliados, mandando chumbo contra o quartel. Alívio e preocupação, pois os tiros vinham da artilharia pesada, o que poderia causar baixas dos dois lados.
O chão é o limite, pensei, rastejando contra a parede de entrada da cela, consegui, depois de muito esforço, alcançar o cantil de um inimigo alvejado. Nunca beber água foi tão bom na minha vida!
Procurei por armas, mas apenas um canivete, dentro de um bornel, aliás, cheio de comida, ainda bem!
Os inimigos recolhiam o que podiam levar e, pouco a pouco iam incendiando tudo. Me fingi de morto, aproveitando a poça de sangue formada pelo meu espancamento anterior e, com ajuda de todos os santos, evitei um disparo de misericórdia.
Blog da Discórdia do Inferno
local para pensar e ser pensado
quarta-feira, 15 de julho de 2015
terça-feira, 2 de junho de 2015
Contato
Nos rendemos. Nada a fazer, só deitar no chão e esperar clemência do inimigo. Pouco a pouco fomos desarmados e levados à prisão. Nada de desconforto, mas tudo fedendo a ratos, que aliás, estavam por toda a parte.
Aliás, ratos nessas horas são muito úteis. Eles só vão nas ocasiões de conforto, em grupo, em busca de alimento, muito parecidos conosco, militares, mesmo nos dias de folga. Nós temos a necessidade de andar em bandos, cada um cuidando dos flancos, até para fazer uma simples compra de supermercado, somos facilmente identificados, falamos alto, rimos de tudo, fechamos a cara aos problemas e sapateamos em nossas próprias caveiras.
Dois ratos beliscam meus pés e descobrem minhas frieiras, primeiro o nojo, depois dou aquela mijada na cara desse roedor filha duma puta pra ver quem é o mais nojento aqui. Soldado X morre de rir da cena e começa aí uma mijação geral até que todos acordem.
Os passos dos idiotas ficam cada vez mais altos e nos colocamos em posição de defesa. Temos dois feridos na retaguarda e guarnecemos suas vidas com colheres de aço e testas moles de ferro.
Dizem algo parecido com Snoshkerfeld e vão embora. Dei de ombros e não entendi nada. Nem ninguém...
Jatos de água fria arrebentam meu peito e me jogam longe. Acordo dentro de um local escuro enquanto sou espancado por um covarde grande pra caralho.
segunda-feira, 1 de junho de 2015
segunda-feira, 20 de abril de 2015
Folhas de sangue
Caminhar sem saber o que nos espera. Um tiro a esmo, várias rajadas em resposta. Combatentes assustados, sem líder, sem direcionamento. O caos.
Nossos rostos pálidos, quase sem expressão.
Alguns até conseguem transformar a raiva em risos, de desespero mesmo, uma manobra para tentar enganar o medo.
Como sair de uma situação que, provavelmente, já está definida? Caso o pelotão fique, morre. Se avançar, poderá morrer do mesmo jeito. Mas ninguém aqui está disposto a esperar pela morte ou por uma prisão, o que seria pior, pois a tortura era resultado certo. Tudo bem que não entregaríamos nada ao inimigo, daríamos a vida ao invés de informações, mas não, prisão nunca! Luta, Força, Determinação, nossos lemas nunca irão se esvair.
Soldado Cunha decide virar para mim e gritar: "Vamos, faça alguma coisa! Vai ficar parado esperando um milagre?".
Nem milagre, nem nada. Um grito, um urro para melhor dizer, de dor, de sofrimento, corta nossos ouvidos. Nunca eu tinha ouvido algo igual. Era um inimigo sendo atacado por um dos nossos com a baioneta. Estávamos próximos demais a uma linha de defesa, ele era um batedor, prontamente recebido com nossas boas-vindas, graças ao Sargento Gk. Isso mesmo, Gk era o nome de guerra de Guilherme Klintschowsky, algo tão complicado de pronunciar, pelo menos para nós, em combate, que ficou Gk mesmo.
Mas isso tem um preço. Um batedor que não retorna ou responde ao rádio alerta o comandante de uma tropa. E nós estamos sendo observados. O atirador de elite pára de atirar, com certeza obedecendo a uma ordem, para que sua posição não fosse flagrada. Mas ele está ali. Pode estar com sua mira sobre a cabeça de qualquer um de nós.
Imediatamente nos deitamos. Sinto o cheiro da terra, preta, úmida, lembrança de casa, por quase 10 segundos saio dali, meu bairro, meus pais, meus vizinhos e amigos brincando, chuva...
"Contato! Contato!"
Linhas inimigas nos cercam e despejam todo o arsenal pesado possível. Estávamos sob fogo cruzado, deitados, com um cadáver inimigo em nossa posse e outro dos nossos ao lado. Respondemos com disparos intermitentes, tiros de economia, sem rajadas, sem granadas, mirar e atirar, errar e se deitar, acertar, recarregar, atirar de novo.
Nossos rostos pálidos, quase sem expressão.
Alguns até conseguem transformar a raiva em risos, de desespero mesmo, uma manobra para tentar enganar o medo.
Como sair de uma situação que, provavelmente, já está definida? Caso o pelotão fique, morre. Se avançar, poderá morrer do mesmo jeito. Mas ninguém aqui está disposto a esperar pela morte ou por uma prisão, o que seria pior, pois a tortura era resultado certo. Tudo bem que não entregaríamos nada ao inimigo, daríamos a vida ao invés de informações, mas não, prisão nunca! Luta, Força, Determinação, nossos lemas nunca irão se esvair.
Soldado Cunha decide virar para mim e gritar: "Vamos, faça alguma coisa! Vai ficar parado esperando um milagre?".
Nem milagre, nem nada. Um grito, um urro para melhor dizer, de dor, de sofrimento, corta nossos ouvidos. Nunca eu tinha ouvido algo igual. Era um inimigo sendo atacado por um dos nossos com a baioneta. Estávamos próximos demais a uma linha de defesa, ele era um batedor, prontamente recebido com nossas boas-vindas, graças ao Sargento Gk. Isso mesmo, Gk era o nome de guerra de Guilherme Klintschowsky, algo tão complicado de pronunciar, pelo menos para nós, em combate, que ficou Gk mesmo.
Mas isso tem um preço. Um batedor que não retorna ou responde ao rádio alerta o comandante de uma tropa. E nós estamos sendo observados. O atirador de elite pára de atirar, com certeza obedecendo a uma ordem, para que sua posição não fosse flagrada. Mas ele está ali. Pode estar com sua mira sobre a cabeça de qualquer um de nós.
Imediatamente nos deitamos. Sinto o cheiro da terra, preta, úmida, lembrança de casa, por quase 10 segundos saio dali, meu bairro, meus pais, meus vizinhos e amigos brincando, chuva...
"Contato! Contato!"
Linhas inimigas nos cercam e despejam todo o arsenal pesado possível. Estávamos sob fogo cruzado, deitados, com um cadáver inimigo em nossa posse e outro dos nossos ao lado. Respondemos com disparos intermitentes, tiros de economia, sem rajadas, sem granadas, mirar e atirar, errar e se deitar, acertar, recarregar, atirar de novo.
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
Agora não restava mais nada a fazer, era esperar o revide do inimigo e lutar com todas as forças, talvez até fosse o caso de uma debandada. Mas estávamos cercados.
Um soldado alertou para que abríssemos caminho em direção leste, já que as baixas haviam se concentrado lá. Não sabia ao certo, mas decidi que iríamos tentar essa manobra.
Dois morteiros explodiram próximo ao nosso pelotão. Um dos nossos soldados teve ferimentos na cabeça, próximos à orelha direita. Ficou praticamente surdo, mas continuou a andar. Aliás, agora não havia mais formação, marcha, nada. Só uma correria desenfreada. Um salve-se quem puder.
Perdemos um combatente, tiro nas costas, talvez de um sniper. Fiquei com mais pânico. Agora é que tinha lascado tudo mesmo.
Não hesitei e atirei na direção contrária ao disparo inimigo. Fortes rajadas responderam aos meus tiros, estávamos ferrados...
Um soldado alertou para que abríssemos caminho em direção leste, já que as baixas haviam se concentrado lá. Não sabia ao certo, mas decidi que iríamos tentar essa manobra.
Dois morteiros explodiram próximo ao nosso pelotão. Um dos nossos soldados teve ferimentos na cabeça, próximos à orelha direita. Ficou praticamente surdo, mas continuou a andar. Aliás, agora não havia mais formação, marcha, nada. Só uma correria desenfreada. Um salve-se quem puder.
Perdemos um combatente, tiro nas costas, talvez de um sniper. Fiquei com mais pânico. Agora é que tinha lascado tudo mesmo.
Não hesitei e atirei na direção contrária ao disparo inimigo. Fortes rajadas responderam aos meus tiros, estávamos ferrados...
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
Inferno
Encare como se fosse real. Essas palavras ecoavam na minha cabeça e não conseguia pensar em mais nada. Todas instruções, regras, quebras de protocolo, tudo, pulava na minha frente, mas o medo era maior e eu não conseguia raciocinar.
Uma mata densa, tipo amazônica, silenciosa, dava mais pânico. Não sabia o que iria achar pela frente, o treinamento havia acabado, não tinha mais volta, somente ir em frente e se salvar. Olhava para os outros, para ver se era só eu que me cagava de medo, mas, infelizmente não, todos estavam em pânico. Passos curtos nos guiavam, o poente era nossa referência. De repente, tiros, estampidos, folhas e pedaços de árvores ao chão. Estávamos sendo atacados. Não sabíamos de onde, mas, era real, aquele inferno era real.
Olho nas armas, checagem de munição, camuflagem, e eu só pensava: "E agora? Que merda eu faço agora? Correr não vai adiantar em nada..." - mas, durante o medo é que vemos o quanto somos fortes, durante essas situações tiramos forças de lugares que nem imaginávamos ter como fontes. Procuro saber se há algum ferido, ninguém responde. Vamos então guardar o perímetro, já que fomos descobertos. A manobra é perfeita, todos cobrem os flancos e nada escaparia de nossos olhos. Todos são um agora. Todos pensam e carpem a luta unicamente. Somos parte de um só. Um cara com muito medo, mas, disposto a encarar suas limitações.
Não sabemos se é melhor seguir em diante ou permanecer quietos. Um batedor sai em busca do inimigo, seu olhar é vago e sem confiança, procuro dizer palavras de motivação, mesmo sabendo que isso não adiantaria. Ele acena com a cabeça e sai como um rato em direção ao predador.
Cobrimos seus passos, primeiro visualmente, depois com as lunetas. Não demora muito e ele volta, correndo, exausto, sem conseguir dizer uma palavra.
Depois de recuperado o fôlego, descobrimos que nós é que somos os intrusos. Estamos a poucos metros de um QG inimigo.
O pânico volta. A boca seca pede água. Não sei o que faço. Penso no óbvio, pedir ataque aéreo, mas, fomos vistos por eles, seríamos facilmente caçados, aliás, já estávamos sendo. Depois de refletido isso, imagino: eles devem estar de olho em nós. Estamos sendo vigiados! E o pior, não sabemos se devemos recuar ou ir adiante!
O meu desespero era visível, o que tornou meus comandados cada vez mais incrédulos. Disse ao meu imediato que deveríamos refazer o perímetro e procurar por armadilhas, ele decidiu que deveríamos nos reagrupar e esperar pelo pior. Concordei e devolvi: "O pior virá de nós!".
Fizemos dois grupos, um de frente para o Norte outro de frente para o Sul, com flancos abertos no caso de fuga. Éramos ao todo quinze soldados, estávamos armados com fuzis e duas metralhadoras. Avisei que devíamos poupar munição, mesmo assim, dei ordem para que atirassem ao redor, para que os possíveis inimigos revelassem suas posições. Tiros de pistola alternados com rajadas cortavam a mata. Dois grupos de batedores foram identificados e abatidos. 4 no total.
Podíamos e devíamos nos mover, nossa posição agora era totalmente vulnerável. Usando a formação em V, deixamos os dois médicos em flancos diferentes e refizemos o caminho de volta.
Ora ou outra eu me volvia para a retaguarda, certo de uma retaliação inimiga. Não deu outra: uma forte rajada, acredito que de um grosso calibre, nos caçava. Ao chão, todos flanquearam em direção às árvores, nossos escudos naturais. Uma granada, saiu do meio de nosso pelotão, algo que não tinha pensado, mas que fora uma bela manobra. O estampido do explosivo atrasaria o inimigo, que ainda não tinha visada pronta de nossas posições. Estavam abertas as portas do inferno.
Uma mata densa, tipo amazônica, silenciosa, dava mais pânico. Não sabia o que iria achar pela frente, o treinamento havia acabado, não tinha mais volta, somente ir em frente e se salvar. Olhava para os outros, para ver se era só eu que me cagava de medo, mas, infelizmente não, todos estavam em pânico. Passos curtos nos guiavam, o poente era nossa referência. De repente, tiros, estampidos, folhas e pedaços de árvores ao chão. Estávamos sendo atacados. Não sabíamos de onde, mas, era real, aquele inferno era real.
Olho nas armas, checagem de munição, camuflagem, e eu só pensava: "E agora? Que merda eu faço agora? Correr não vai adiantar em nada..." - mas, durante o medo é que vemos o quanto somos fortes, durante essas situações tiramos forças de lugares que nem imaginávamos ter como fontes. Procuro saber se há algum ferido, ninguém responde. Vamos então guardar o perímetro, já que fomos descobertos. A manobra é perfeita, todos cobrem os flancos e nada escaparia de nossos olhos. Todos são um agora. Todos pensam e carpem a luta unicamente. Somos parte de um só. Um cara com muito medo, mas, disposto a encarar suas limitações.
Não sabemos se é melhor seguir em diante ou permanecer quietos. Um batedor sai em busca do inimigo, seu olhar é vago e sem confiança, procuro dizer palavras de motivação, mesmo sabendo que isso não adiantaria. Ele acena com a cabeça e sai como um rato em direção ao predador.
Cobrimos seus passos, primeiro visualmente, depois com as lunetas. Não demora muito e ele volta, correndo, exausto, sem conseguir dizer uma palavra.
Depois de recuperado o fôlego, descobrimos que nós é que somos os intrusos. Estamos a poucos metros de um QG inimigo.
O pânico volta. A boca seca pede água. Não sei o que faço. Penso no óbvio, pedir ataque aéreo, mas, fomos vistos por eles, seríamos facilmente caçados, aliás, já estávamos sendo. Depois de refletido isso, imagino: eles devem estar de olho em nós. Estamos sendo vigiados! E o pior, não sabemos se devemos recuar ou ir adiante!
O meu desespero era visível, o que tornou meus comandados cada vez mais incrédulos. Disse ao meu imediato que deveríamos refazer o perímetro e procurar por armadilhas, ele decidiu que deveríamos nos reagrupar e esperar pelo pior. Concordei e devolvi: "O pior virá de nós!".
Fizemos dois grupos, um de frente para o Norte outro de frente para o Sul, com flancos abertos no caso de fuga. Éramos ao todo quinze soldados, estávamos armados com fuzis e duas metralhadoras. Avisei que devíamos poupar munição, mesmo assim, dei ordem para que atirassem ao redor, para que os possíveis inimigos revelassem suas posições. Tiros de pistola alternados com rajadas cortavam a mata. Dois grupos de batedores foram identificados e abatidos. 4 no total.
Podíamos e devíamos nos mover, nossa posição agora era totalmente vulnerável. Usando a formação em V, deixamos os dois médicos em flancos diferentes e refizemos o caminho de volta.
Ora ou outra eu me volvia para a retaguarda, certo de uma retaliação inimiga. Não deu outra: uma forte rajada, acredito que de um grosso calibre, nos caçava. Ao chão, todos flanquearam em direção às árvores, nossos escudos naturais. Uma granada, saiu do meio de nosso pelotão, algo que não tinha pensado, mas que fora uma bela manobra. O estampido do explosivo atrasaria o inimigo, que ainda não tinha visada pronta de nossas posições. Estavam abertas as portas do inferno.
terça-feira, 11 de setembro de 2012
Dirija Mal, Amigo!
Escrever sobre trânsito em Goiânia, com as devidas proporções, é discorrer sobre uma guerra. Sim, é um relato de guerra, de uma situação sangrenta, violenta e sem controle. O pior de tudo é tomar conhecimento das estatísticas recheadas de resultados impressionantes e notar que o trânsito aqui é reflexo de nós mesmos.
Carros, motos, utilitários e afins são as armas para subir até o front. A garagem é o Quartel-General, que guarda sua arma predileta, limpinha, sem defeitos, ou até mesmo aquela suja, cheia de manhas que só você é capaz de usar.
A rua, o próprio front, mas não aquele definido pelo Estrategista de Guerra, quando virou pra você na Auto-Escola dizendo: "Não pisa na embreagem na curva, não ultrapassa nas rótulas!". A rua é o campo de outra batalha. A sua. Contra você mesmo.
Reclamar é fácil, simples. Colocar a culpa nos outros é cômodo e isenta o reclamante de parcela nos problemas. Mudar não. Mudar significa abdicar de hábitos que estão incrustrados na sua mente, "Como assim, 40km/h, aqui dá pra ir a 60 numa boa!", "Parar nessa faixa pra quê, pro cara que está atrás arrebentar a traseira do meu carro? O pedestre que espere!", e por aí vai.
Aqui, em Goiânia, especificamente, resolvi fazer um teste. Bobo, mas que deu resultado. No CEPAL do Setor Sul, há um sinal de dois tempos, entre as Rua 115 e Av. Fued José Sebba, continuação da Rua 83. São duas opções, marcadas em sinalização horizontal, antes do sinal (sinaleiro, semáforo...): ou se vai em frente, seguindo em direção ao Ministério Público, ou se vira à esquerda, para o Setor Universitário ou até sentido Centro, Sul, etc... A manha é a seguinte: pista da direita, segue em frente, sendo o tempo do sinal maior. Pistas do meio e da esquerda, só viram à esquerda, com tempo de siga menor. Só que, por hábito, condutores viram à esquerda, FURANDO o sinal, por conveniência, já que há outro em frente, indicando vermelho, por causa do sentido contrário.
Hoje eu não fui conveniente. Segui a regra. Parei na pista do meio, com o sinal me indicando PARE, deixando a pista da direita livre. Pra quê, o que ouvi de buzina, elogios e o escambau foi muito.
Isso é um pequeno exemplo de como a selvageria é LEI DE TRÂNSITO em Goiânia. Não, você é QUASE OBRIGADO a dirigir mal para manter sua tranquilidade assegurada. E a vida segue!
Carros, motos, utilitários e afins são as armas para subir até o front. A garagem é o Quartel-General, que guarda sua arma predileta, limpinha, sem defeitos, ou até mesmo aquela suja, cheia de manhas que só você é capaz de usar.
A rua, o próprio front, mas não aquele definido pelo Estrategista de Guerra, quando virou pra você na Auto-Escola dizendo: "Não pisa na embreagem na curva, não ultrapassa nas rótulas!". A rua é o campo de outra batalha. A sua. Contra você mesmo.
Reclamar é fácil, simples. Colocar a culpa nos outros é cômodo e isenta o reclamante de parcela nos problemas. Mudar não. Mudar significa abdicar de hábitos que estão incrustrados na sua mente, "Como assim, 40km/h, aqui dá pra ir a 60 numa boa!", "Parar nessa faixa pra quê, pro cara que está atrás arrebentar a traseira do meu carro? O pedestre que espere!", e por aí vai.
Aqui, em Goiânia, especificamente, resolvi fazer um teste. Bobo, mas que deu resultado. No CEPAL do Setor Sul, há um sinal de dois tempos, entre as Rua 115 e Av. Fued José Sebba, continuação da Rua 83. São duas opções, marcadas em sinalização horizontal, antes do sinal (sinaleiro, semáforo...): ou se vai em frente, seguindo em direção ao Ministério Público, ou se vira à esquerda, para o Setor Universitário ou até sentido Centro, Sul, etc... A manha é a seguinte: pista da direita, segue em frente, sendo o tempo do sinal maior. Pistas do meio e da esquerda, só viram à esquerda, com tempo de siga menor. Só que, por hábito, condutores viram à esquerda, FURANDO o sinal, por conveniência, já que há outro em frente, indicando vermelho, por causa do sentido contrário.
Hoje eu não fui conveniente. Segui a regra. Parei na pista do meio, com o sinal me indicando PARE, deixando a pista da direita livre. Pra quê, o que ouvi de buzina, elogios e o escambau foi muito.
Isso é um pequeno exemplo de como a selvageria é LEI DE TRÂNSITO em Goiânia. Não, você é QUASE OBRIGADO a dirigir mal para manter sua tranquilidade assegurada. E a vida segue!
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Impassibilidade Idiota
Somos todos heróis. De nós mesmos, dos nossos pais, filhos, familiares, bichos domésticos, de todos. Ou não? Se você acha que sim, leia isto: em menos de quatro horas internetando por aí, vi, no mínimo, umas 200 pessoas reclamando de algo, de algum produto, de alguém, ou delas mesmas. Mas, ao mesmo tempo, algumas delas se deram ao luxo de postar, principalmente em redes sociais, palavras de afeto, de amor, passagens religiosas, de diferentes credos.
As redes sociais perderam o senso do ridículo e, ao mesmo tempo, ganharam a fama por serem perpetuadoras de opinião. Headhunters caçam suas "presas" e as "filtram" por elas ( o que pode ser constrangedor para uns e para outros não), professores usam-nas para fiscalizar se os alunos -principalmente em escolas onde o computador faz parte das salas de aula- estão realmente prestando atenção ou cozinhando o galo (perdão, Atleticanos!), empresas selecionam currículos através de sites personalizados e até mesmo fazem entrevistas.
O que acontece, mas ninguém diz nada e não há aparentemente uma legislação pertinente sobre isso é a descarada e desaforada campanha política fora de hora, a campanha ilegal. Só no Estado de Goiás são mais de mil postagens semanais de obras ou mesmo reuniões (muitas delas para discussão de NADA) dos políticos ou dos candidatos.
Os que levantam a bandeira da democracia e da liberdade de opinião esbarram seus fôlderes eletrônicos numa legislação reta e que não perdoaria tal prática. É crime. Dá cadeia sim, no mínimo multa.
O que temos a dizer sobre isso? Está aberto o debate.
As redes sociais perderam o senso do ridículo e, ao mesmo tempo, ganharam a fama por serem perpetuadoras de opinião. Headhunters caçam suas "presas" e as "filtram" por elas ( o que pode ser constrangedor para uns e para outros não), professores usam-nas para fiscalizar se os alunos -principalmente em escolas onde o computador faz parte das salas de aula- estão realmente prestando atenção ou cozinhando o galo (perdão, Atleticanos!), empresas selecionam currículos através de sites personalizados e até mesmo fazem entrevistas.
O que acontece, mas ninguém diz nada e não há aparentemente uma legislação pertinente sobre isso é a descarada e desaforada campanha política fora de hora, a campanha ilegal. Só no Estado de Goiás são mais de mil postagens semanais de obras ou mesmo reuniões (muitas delas para discussão de NADA) dos políticos ou dos candidatos.
Os que levantam a bandeira da democracia e da liberdade de opinião esbarram seus fôlderes eletrônicos numa legislação reta e que não perdoaria tal prática. É crime. Dá cadeia sim, no mínimo multa.
O que temos a dizer sobre isso? Está aberto o debate.
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
PARA ULISSES AESSE
O tempo não acabou com o meu sofrimento
A privda é o depósito de memórias do povão
Que come marmita podre sem feijão
A morte é a que ri por último e melhor
Não sei fazer rima de cor
Pau no cu da minha ignorância
Que não revela nada a distância
Vou tirar uma foto do diabo
E pendurar na sua parede
Quando olhar no seu espelho
Verá que você não é ele!
A privda é o depósito de memórias do povão
Que come marmita podre sem feijão
A morte é a que ri por último e melhor
Não sei fazer rima de cor
Pau no cu da minha ignorância
Que não revela nada a distância
Vou tirar uma foto do diabo
E pendurar na sua parede
Quando olhar no seu espelho
Verá que você não é ele!
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Flores
Tem gente que não gosta de flores. Eu gosto. Acho muito legal quando, no meio de tanta coisa feia, concreto demais, fuligem de automóveis, merda, ah, essas coisas que a gente vê, pisa e deixam nossa cabeça meio trelelê todos os dias, mas, então, eu gosto de encontrá-las. Ali, às vezes bem pequenas, serenas, escondidas, e outras vezes formosas e bem vistosas.
Mas são flores, alegram a vista, fazem-nos pensar diferente, nos dão a sensação de que mesmo com tantas dificuldades, problemas, falta de dinheiro, falta de amizades sinceras, família dando no saco, crimes, políticos, as flores não param de nascer. Alguns arrancam, dão às amadas, outros pisoteiam, cospem, não as enxergam ou mesmo nem sabem o que são.
Uma das flores mais belas que vi não sei dizer o nome, ela é selvagem, exótica, muito bonita e estava bem escondida. Eu a vi, achei interessante suas pétalas, o caule perfeito e as outras partes que eu não sei dizer o nome mais que perfeitas.
Um belo dia eu descobri que essa flor, escondida no meio de tanto mato selvagem e de plantas que não pareciam ter nada a ver com ela estava morrendo. Secando pouco a pouco. Perguntei se isso não era por falta de luz, água ou mesmo comida de planta, o adubo...Só então que percebi que era falta de carinho, amor, atenção, coisas que todas as plantas merecem. Elas conversam conosco, o duro é entender a linguagem, muito complicada essa maneira de comunicação, mas que há troca de idéias há sim.
Quisera eu ser um jardineiro para saber cuidar das flores. Um beijo, flor, te amo!
Mas são flores, alegram a vista, fazem-nos pensar diferente, nos dão a sensação de que mesmo com tantas dificuldades, problemas, falta de dinheiro, falta de amizades sinceras, família dando no saco, crimes, políticos, as flores não param de nascer. Alguns arrancam, dão às amadas, outros pisoteiam, cospem, não as enxergam ou mesmo nem sabem o que são.
Uma das flores mais belas que vi não sei dizer o nome, ela é selvagem, exótica, muito bonita e estava bem escondida. Eu a vi, achei interessante suas pétalas, o caule perfeito e as outras partes que eu não sei dizer o nome mais que perfeitas.
Um belo dia eu descobri que essa flor, escondida no meio de tanto mato selvagem e de plantas que não pareciam ter nada a ver com ela estava morrendo. Secando pouco a pouco. Perguntei se isso não era por falta de luz, água ou mesmo comida de planta, o adubo...Só então que percebi que era falta de carinho, amor, atenção, coisas que todas as plantas merecem. Elas conversam conosco, o duro é entender a linguagem, muito complicada essa maneira de comunicação, mas que há troca de idéias há sim.
Quisera eu ser um jardineiro para saber cuidar das flores. Um beijo, flor, te amo!
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