Nos rendemos. Nada a fazer, só deitar no chão e esperar clemência do inimigo. Pouco a pouco fomos desarmados e levados à prisão. Nada de desconforto, mas tudo fedendo a ratos, que aliás, estavam por toda a parte.
Aliás, ratos nessas horas são muito úteis. Eles só vão nas ocasiões de conforto, em grupo, em busca de alimento, muito parecidos conosco, militares, mesmo nos dias de folga. Nós temos a necessidade de andar em bandos, cada um cuidando dos flancos, até para fazer uma simples compra de supermercado, somos facilmente identificados, falamos alto, rimos de tudo, fechamos a cara aos problemas e sapateamos em nossas próprias caveiras.
Dois ratos beliscam meus pés e descobrem minhas frieiras, primeiro o nojo, depois dou aquela mijada na cara desse roedor filha duma puta pra ver quem é o mais nojento aqui. Soldado X morre de rir da cena e começa aí uma mijação geral até que todos acordem.
Os passos dos idiotas ficam cada vez mais altos e nos colocamos em posição de defesa. Temos dois feridos na retaguarda e guarnecemos suas vidas com colheres de aço e testas moles de ferro.
Dizem algo parecido com Snoshkerfeld e vão embora. Dei de ombros e não entendi nada. Nem ninguém...
Jatos de água fria arrebentam meu peito e me jogam longe. Acordo dentro de um local escuro enquanto sou espancado por um covarde grande pra caralho.