quinta-feira, 29 de julho de 2010

Goiânia!


Faaaaaaaala, bloggueiros e bloggueiras! Que imensa satisfação eu tenho em retomar os trabalhos do Discórdia! Confesso que às vezes passo mais tempo pensando em temas pra escrever aqui do que escrevendo! Vou tentar ser mais assíduo, prometo!
Goiânia é realmente uma cidade peculiar. Aliás, aqui é o berço de uma série de curiosidades que se você prestar atenção e não andar tão apressado por aí vai perceber. Eu começo pela vegetação, um dos mais queridos e defendidos cartões-postais da goianinha. É uma febre! Olha, andando em diferentes bairros notei que não é um privilégio da prefeitura plantar árvores. Moradores se empenham em deixar um pouco mais verde suas casas, calçadas e bairros. A fachada de uma série de casas que vi em construção, tipo aquelas de mutirão, muitas vezes reserva um espaço para um arbusto que seja. Prédios imponentes de bairros nobres dividem espaço com árvores e plantas ornamentais. Órgãos públicos (daí acho uma obrigação) são ladeados por lindas sibipirunas, mangubas (nem sempre as melhores pra uma região urbana), palmeiras, gameleiras...
Outra coisa tem me chamado a atenção: o aumento do número de moradores de rua. Uma certa vez parei e comecei a conversar com uma turma. Menti dizendo que estava fazendo trabalho de faculdade, que tinha de contar histórias sobre os moradores de rua. Impressionante. Gente de São Paulo, Minas Gerais, Gaúchos e por aí vai. Um dos não-sortudos me disse que é formado em advocacia e que perdeu tudo por causa do álcool. Aliás o tal do álcool tá presente em quase todas as "desventuras". O duro é a quantidade de "homeless"que fuma crack. "Crack é foda. Você começa e não pára mais. Vicia mesmo e não dá pra fugir. Mata a fome, faz a mente e dá força."
As esquinas, às vezes até as mais nobres, escondem seus moradores que disputam espaço violentamente. Não há perdão. Há compaixão, grupos que ajudam, o "recolhe" da prefeitura, mas eles preferem as ruas: "Aqui é meu lugar. Fui me expulsando de tudo na vida. Perdi minha esposa, meu trabalho, minha dignidade. De vez em quando vejo meus filhos, mas não tenho coragem de falar com eles. Eles agora têm outro pai, um cara bacana, tem carro, anda arrumado e parece que trata a minha ex-mulher bem. Eu agora só tenho meus amigos e Deus." Uma moradora de rua me pergunta se eu já vi alguém morto. Digo que sim. Ela me diz: "A gente vê todo mês. Mês de frio é pior. Mas às vezes é a polícia que mata também." Pergunto se a polícia mata moradores de rua: "Não. Isso não. Eles só não gostam quando a gente tá perto de prédio de rico ou perto das estátuas. Eles não maltrata não. Mas matam bandido de madrugada e sai de boa." Bem, isso é outro papo. Coisa de cidade grande, algo que Goiânia já se tornou há muito tempo.