sexta-feira, 31 de julho de 2009

Cena do Crime.




Segunda-feira. Quatro e meia da manhã. Eu e Murddock estamos no meio do nada, em uma casa simples, na beira de uma rodovia estadual. O fedor é insuportável, algo como fósforo misturado a outro composto, talvez alguma química, não sei ao certo. Meu parceiro tira fotos da mulher morta. Seu rosto não é comum, mas tem traços familiares. Suspeita de crime passional. Marido violento. Entregava sua alma ao coisa ruim mas não levava desaforo para casa. E nesse dia ela revidou.
Depois de uma bebedeira quase sem fim, ele chegou em casa e começou a praticar seu esporte predileto: bater na esposa. Ela, quase indefesa e mais uma vez pega de surpresa enquanto dormia, desmaiou. Smith, como era chamado pelos vizinhos, parece não ter acreditado no desmaio de sua mulher e praguejou bem alto, para que todos ouvissem: "Não passas te hoje, mulher. Terás teu destino traçado por minhas mãos!". Foram vários os golpes, e ele não mentiu. Desferiu todos com suas próprias mãos. Mãos de quem trabalhava, não era desonesto, porém, alcoólatra e covarde. Muito covarde.
Quando chegamos, a polícia local nos deu os detalhes. Eu e Murddock apenas estávamos cumprindo com a praxe legal, a perícia. Algo praticamente desnecessário para a vizinhança, mas que faz muita diferença em juízo. Aliás, arguí alguns vizinhos o porquê deles não chamarem a polícia em outras ocasiões. "Medo de apanhar. Ele era muito violento e não perdoava ninguém. Merece a perpétua." Aí já não é comigo.
Patrulheiros trazem Smith. Ele me olha como uma águia olha uma presa. Devolvo o olhar. Deixo bem claro que seria nossa primeira e última conversa.

Operações da Polícia Federal

Opa. Ando sumido. São coisas e mais coisas, mas vá lá. Você é bem-vindo aqui. Que nem diz aquele mineiro arretado "Strodia" eu tava assistindo TV e, mais uma vez, percebi o quanto os PF's são criativos. É cada nome para as operações. Virgem Maria! "Operação Tatu", acho que seria um nome bom, esse, pra ver se alguns cartolas do futebol brasileiro fossem realmente desmascarados.
A coisa é séria. Times, que na verdade são empresas mesmo, fazem o que querem. Mexem com os brios de uma paixão brasileira e vão ao Congresso reinvindicar isso, aquilo, vantagens, aumento de verbas de imprensa e tal. Uma dessas manobras foi feita totalmente de acordo com a Lei ( já que esse povo não é bobo mesmo ) e transformou nosso plantel de jogadores em verdadeiros manequins de vitrine. À procura de novos talentos, um certo olheiro aí veio à Goiânia e pesquisou em 4 times ( todos da capital ) por um médio volante. Parou no Goiás Esporte Clube, time que representa o Estado na Série A e gostou de um garoto lá. O negócio é que essa posição, mais precisamente de meia esquerda, é uma das fraquezas do Goiás. Não param jogadores bons. Ninguém parece querer ser o tal do meia esquerda. Mas, que merda! Como um time que tem estrutura, técnico, campo (s) de treinamento, torcida ( meio brocoxô às vezes, mas deixa quieto...) e não tem aqui em Goiânia mesmo um meia? Porque esse jogador vem, na maioria das vezes de uma lateral esquerda improvisada ou de outros estados? Porque diabos, Doutor Presidente do Goiás, que os garotos das categorias de base são vendidos por preços irrisórios? Qual é o investimento que o clube tem para retornar à torcida esses preços escabrosos de ingressos?
De antemão: não sou torcedor do Goiás. Mas acompanho ( até mesmo porque gosto de futebol ) a sua jornada. Sei que é um time coeso, merecedor de títulos, Hélio dos Anjos que o diga: o cara simplesmente desabafou na última final do Goiano. Disse que "Sempre temos a obrigação desse título. Campeão Goiano é dever de casa para o Goiás, a torcida cobra, a diretoria cobra e vocês, da imprensa, nos cobram diariamente. Aí está a resposta. Somos campeões mais uma vez. P...!". Beleeeeeeza, Hélio, o senhor tem razão. A cobrança sempre é assim mesmo. E é mais do que obrigatória também. A nossa e a sua obrigação agora é: e aí, cadê o dinnheiro do clube? Paga-se os funcíonários administrativos em dia? Alô, Receita Federal, Operação Periquitoooooooooooooo!

Try A Little Bit Harder



Janis Joplin, a branca mais negra de uns tempos remotos aí, é atualíssima em tudo. Acho que até suas roupas, cabelo, atitudes, beberranças, drogas, amigos e seu jeito peculiar de fazer inimigos. Ela é uma mulher que dá pano para as mangas mais saborosas e longas...Hehhe. Que viagem. Mas, olha só: essa letra, de "Try...", já parou para prestar a atenção nela? Bicho(a), isso é mais do que um conselho, mais do que um esparro, é o começo dos manuais de auto-ajuda. Essa livraiada doida que nego compra adoidado e sai por aí espalhando idéias.
Pára-choques de caminhão ou não, esses best(a)-sellers são o máximo do consumo literário. Em praticamente todos os países desse nosso mundão, os mais vendidos. Os mais venerados. E, lógico, os mais "reproduzidos". As idéias, que na maioria, são simples e escritas a toque de caixa, chegam ao nosso cérebro na mesma rapidez de um spot de rádio. Parece que isso foi escrito para você, exatamente para essa situação e o pior, às vezes tem até seu nome no meio daquilo.
A literatura de auto-ajudo é um ramo mais do que ambíguo. Conheço uma escritora (aliás a conheço bem) que já pensou em escrever um desses pra ver se arrumava uns trocos. Mas a idéia principal dela seria um pouco avessa aos que existiam no mercado. Ela iria fazer um livro de auto-destruição, ou algo como um manual para ser entendido ao contrário. Só não o fez porque teve medo da repercussão e de algum maluco tomar tudo ao pé da letra e...Você sabe.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Independência ou Blog!



Isso aí! Rapaz, não sabia que escrever em blog era tão bom assim. Lanço mais essa campanha,"Independência ou Blog!", se, por acaso já existir, foi mal. Mas eita trem bão dimais da conta esse tar de brog, sô!
Ah, não costumo fazer muito isso não, mas vale a pena dar uma sacada no som da goiana In Bleeding. Eles trabalham um cd pancadístico e cheio de surpresas musicais. Versão goianiense do mais puro rock pesado, guitarras inteligentes ( elas pensam? Catso! ), baixo afinadíssimo e com peso de trator, batera quebrada e cheia de swing, vocal do grande vilanovense Alan e participações especialíssimas. Falo do Phobia, cd bom pacas que comprei pela bagatela de...Bem, não falarei quanto foi não.
Acostumado ao som pesado, esses dias me surpreendi adquirindo um cd. Isso mesmo. Essa coisa arcaica ( quem diria ) chamada Disco Compacto, para os bons brazucas. Scorpions Acustica. Em Portugal. Ando numa fixação com Portugal que acho que acabo indo lá ainda. Bem, sei que escolhi um dos ícones do Hard Rock. Alemães ( são alemães mesmo? ) cantando em Inglês sem sotaque. Numa demonstração de como um acústico pode soar leve e pesado ao mesmo tempo. Clássicos como "Hurricane" e "You and I" levados em arranjos novos, baladeiros e metálicos.
Será que existe um Deus do Blog?

Ode - Parte 2

O cheiro no ar agora é de pólvora. Um odor seco, que arde as narinas e faz os olhos lacrimejarem. Soldados correm sem sentido e não veem o perigo dessa manobra. Comando a formação em diamante. Poucos obedecem. Canhões dos tanques esfriam enquanto o inimigo atira sem cessar. De onde será que vem tanta munição!?
Recuar já não é possível. Agora é aguentar e sofrer. Pelo menos tenho aqui 12 de meus melhores atiradores. Todos espantados e doidos. Olhos vidrados, que não piscam e buscam movimentos. Suas armas, verdadeiras e fiéis, agora procuram alvos ágeis. Vejo que a tropa do Coronel Luz se aproxima lentamente. Morteiros agora são lançados nos dois sentidos, Norte e Sul, estamos colocando o inimigo em fogo cruzado. A tática até parece ser boa, mas é perigosa.
"Mãe 60" desfalece. Nossa principal arma de apoio, a M-60 está sem dono. Assumo seu posto. Nem sei o que fazer. Soldado Trévio me ajuda e começa o ataque. Isso é que é arma. Um tiro, uma morte. Contudo, esquenta demais. Tenho de dar intervalos e varrer o inimigo com um fuzil de assalto. Aqui cada ação parece demorar uma semana, mas só se passaram oito minutos. Oito. Coronel Luz consegue dispersar parte da retaguarda inimiga e os tanques se voltam ao seu pelotão. Hora de nossa ofensiva avançar.
Correr é preciso. Voamos. Cada um com suas armas e dentes cerrados. Afiados. Somos todos um agora. Parecemos mais um bando de canibais. Chegamos perto, costurando nossos passos em volta de cadáveres e falsos mortos. Granadeiro Luiz consegue eliminar um piloto de tanque. Golpe de mestre. Merecia uma condecoração. Mas agora, todo cuidado é pouco. Fomos descobertos mais uma vez.

Palavras


Meu pai disse agorinha que escrevo muitos palavrões. Ficou impressionado com a "quantidade e a freqüência (sim, eu uso trema) " das palavrinhas toscas. Pois é, nobre pai, aqui a cozinha de inspiração às vezes é temperada desse jeito. Mesmo assim, valeu pelo toque. Vindo de você acredito que seja construtivo. Aliás, não é a primeira vez que ele me faz essa "observação".
Aqui mesmo, Dr. Psiquê, tem um texto em defesa da Poesia. Aquele do trânsito. Pensamento positivo, "wishful thinking", sei lá. Li um Blog parecido, de um português, e quase não vi palavras bonitas. Palavras até bem estruturadas, bem escritas e distribuídas. Mas a maioria era de xingamentos.
Não sei se é a melhor maneira de se defender a Liberdade de Expressão, só acho que é uma vantagem não ser censurado (Obrigado, Blogspot). E contra a censura, o senhor sabe bem mais que eu: era engraçado ver como Chico, Caetano, Gil, Tom, Vinícius, Toquinho, Vandré e uma penca de roqueiros faziam para mascarar as letras, lembra?
Então, afasta de mim esse "Cálice" pai!!!!! Beijos!

Legumes, Carne e Vegetais

A Discórdia existe por causa da Concórdia? Hehe! Pois é, comer bem faz bem, viver bem também e outros "ens" são necessários. Um deles é o tal do Enem. Esse exame que é uma ponta de iceberg dentro de um deserto de frios e calculistas. Uma das dicas para quem vai prestá-lo é a alimentação. Aliás, qualquer conselho alimentício dado a um estudante é válido. O sono e alimentação são indispensáveis. Oito horas de sono para quem vai prestar um vestibular ( ou o tal do Enem ) parecem uma eternidade e poderiam ser gastas em fórmulas de Darwin, discursos de Platão, livros de Aleghieri e outras cositas más.
Enem é sério. Cotas para negros (afrodescendentes, tá, tá! ) também. Agora, o estômago é a parte mais frágil de quase todos humanos. Acostumados ou não a dietas saudáveis, somos perecíveis e morremos pela boca. Também. Aliás, você já bebeu água hoje? Um dos principais alimentos da face deste planeta habitado.
Amigos de Enem, comam, se alimentem, vejam cores em seus pratos de comida. Várias cores. A saúde é um dos itens obrigatórios em suas vidas.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Para Pensar


Banda de Moebius. Intrigante.

Pneus

Ora bolas, os pneus. São as peças fundamentais de um carro, por exemplo. Eles são movidos, movem-se, estouram, cheiram, fedem, atropelam e são até invejados. Muitos deles encontram-se em lojas, todos pimpões, cheios de silicone, a borracha novinha, que dá gosto. Outros, primos pobres e usados, em lixões. E como hay lixões. Espalhados em todos cantos dessa finita highway que é nossa casinha.
Eologistas defendem teses dizendo as datas de decomposição das borrachas malditas que equipam seus carros poluentes. Apaixonados por carros trocam eles em períodos curtos. Motoristas sem dinheiro nem querem saber dessa porcaria de pneu careca dos infernos que eu tenho de trocar senão aquele guarda filho de uma p.... vai me multar. A Dona Maria, uma das figuras mais respeitadas no trânsito brasileiro nem sabe o que é isso. Chama até de Coisinha! " Ô benhê, cadê o cartão daquela loja onde a gente troca os.....as.....coisinhas.......os pneus?". O certo é que essa raça de peça automotiva dá muito pano pra manga. Muitas matérias, algumas toscas, outras verdadeiros tratados jornalísticos. Alguma pagas, com certeza, mas várias vezes deparamo-nos com aqueles "malditos pneus poluentes" nos jornais.
Coisa de louco, realmente a importância que é dada aos nobres rodantes. Calcule: seu carro tem 5 pneus, todos recheados com aço, ferro, outras matérias-primas de renome internacional ( me disseram que até Kevlar, mas essa é boa! ). Daí a nobre borracha, sinteticamente esmagada após passar por um processo FEDORENTO PACAS, prensada, moldada e marcada por máquinas e mãos ágeis. Daí você roda uma média de uns 1000 km por mês. A inspeção dos seus pneus, deve ser feita semanalmente, para evitar desgastes futuros. Haja saco. Mas, dá pra fazer isso na mesma hora de olhar a água e o óleo. Digamos que a cada 3 anos você troque os pneus de seu carro. O estepe até pode durar mais, com a ressalva de poder ficar ressecado.

Se, em cidades de grande porte, a frota de veículos chega a números estratosféricos, imagine só o lixo, os despejos, montes de pneus que são formados pelo simples descarte? Será que esse papo de pneu reciclado te deixa confiante? Você usaria um pneu remanufaturado? Em defesa do meio ambiente? Se você respondeu sim, mas comprou um zerinho por causa da segurança da sua família é sinal que você prefere gastar um pouco mais para não ter dor de cabeça. Se não, foda-se, essa merda de papo de ecologista enche o saco! Quero mais é ver a marca do meu Michelin no asfalto....Bem...daí é problema seu. E nosso também...
Dá uma olhada nisso: tudo sobre pneus. Te garanto que tem coisa lá que você nem imaginava:
http://www.braziltires.com.br/tudosobrepneus/pneus.html

OOOOOOOoopa




Então. É isso aí. Como bem diz Pasquale Cipro Neto. As divergências no trânsito são verdadeiros achados e tratados do neo-terrorismo mental. Pequenas fechadas, xingamentos, ofensivas em ataque à motoclistas, tudo isso e muito mais perecem e padecem no dia-a-dia.

O quê diria qualquer poeta ao ser alvo de um navalha no trânsito? Será que ele faria poemas, poesias, daria cores aos acontecimentos. Será que nosso tráfego gorjeia mais que os de outros países? Tulipas! Flores! Orquídeas me mordam! Mas que sujeito mal-ajambrado esse que acaba de me fechar. Mas ele fechou uma porta e abriu outra, a porta da Poesia do Tráfego. Algo que irei tentar defender.

O mote é o seguinte: tente pensar em coisas boas nas horas ruins. Nem precisa ser Poliana, eu sei. Mas tente. Em vez de "Puta que pariu! Desgraaaaaaaaaaaaça! Filha da Puuuuuuta!", tente mentalizar outras palavras ou até figuras menos horrendas do que aquelas que aparecem na sua sala mental nessas horas. É difícil. O André, nobre amigo da Luta Armada Contra Instituições Sem-Vergonhas, que o diga, né André. Será que o Pietro vai dar conta de pensar assim? "Putz pai, que mercadoria mais sem classe essa que eu comprei no camelô..." Em vez de "Porra, pai, essa merda de pen drive ( se é que isso ainda vai existir daqui a 06 anos ) que eu comprei naquela merda de vendedor filho duma puta não presta!"

No trânsito isso seria divertido: o cara olha pra você e te manda a um lugar aí qualquer, perto de uma suposta progenitora....Daí....você responderia: "Flores pra você também! Pense positivo, nobre irmão!" Putz, já tem gente chamando isso aqui de viadagem, mas, saca só: se realmente isso funcionasse, as crianças, que pegam tudo no ar e PRINCIPALMENTE nas ruas, seriam menos desbocadas, não?

Os dados foram lançados.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Jornalistas, Uni-Vos e Vão à ......



Jornalistas de todo o mundo e desse país grande e besta quadrada. Agora que sua faculdade foi diminuída a uma espiga de milho roída pelo paramécio do camundongo manco, reflita: será mesmo que precisa-se necessariamente de mais um papel para provar quem você é, ou sabe fazer? Será que esse tão sonhado diploma ( que pode ser até comprado ) credita todas as suas faculdades mentais? E mais, será que as redações de toda a galáxia realmente se importam, já que é mais vantajoso o emprego de estudantes ( estagiários )?
Bem, após mais ou menos quatro anos de luta você tem a certeza que sim. Valeu a pena, até porque a Globo só vai contratar especialistas no assunto, estilo Francine do Big Brother, Cléber Bam-Bam, para trabalhar na telinha. Mas, no Jornal Nacional não. Lá podem entrar Paulo Coelho, Ana Maria Braga, Xuxa...Didi... Todos esses podem ser "Repórteres por um Dia" do ( eca ) Fantástico. Aliás, acho que o piso deles é um pouco maior que o da classe academicista e corporativista, né?
Mas olha só: sua casa tem infiltração nas paredes? Beleza! Coloque todas as suas atividades extra-curriculares, congressos, viagens à Central Num-Sei-o-Quê de Produção, seus cursos de idiomas e, não se esqueça das fotos de formatura! São excelentes tapa-buracos e lascas de parede!

Ode - Primeira parte.


Até mais tarde. Ela disse isso olhando no fundo de meus olhos, me dando medo. Sua frieza. Seu tato frio e macabro. Odeio despedidas. Assim como odeio quem odeia despedidas. Mas não chego a me odiar. Ainda não. Minhas feridas causadas pelo tempo me ensinaram a recuar enquanto é cedo.
A realidade num campo de batalha parece melhor visualizada em preto e branco. As cores podem confundir os olhos de quem a assiste, e, o pior, fazer com que a batalha fique bela. Tudo bem que em preto e branco ainda é possível beleza. Mas a energia dessas cores despejam todo o peso existente dentro de um "battlefield". Olho para cima e vejo que a manhã ainda é tímida, cinza e sépia, o sol há de vir, mas não sabemos se o veremos hoje.
O General inimigo soube bem contornar boa parte de suas baixas e posicionou vários batedores e eles deram as coordenadas exatas de nossa posição e de nosso armamento, por causa do jeito que nos atacaram ontem. Perdi um dos meus melhores amigos, amizade de guerra, feita no navio ainda. Não sei se conseguirei transparecer calma e decisão à minha pequena tropa hoje. Nossa missão ainda é defensiva, guardar nossos mantimentos e munição, enquanto o Coronel Luz avança em ofensiva silvestre. Nossa tática é enfraquecer a ofensiva contrária e dar suporte ao próximo ataque aéreo. E ele sempre demora, por causa das condições do relevo aqui. Muitas montanhas, ataques de helicópteros e o medo são inimigos das nossas aeronaves.
Temos menos de meia hora antes do próximo ataque inimigo. Ontem contei vinte e sete soldados mortos por mim, pelo menos o que eu achei. Nosso campeão ainda é a "Mãe 60", apelido dado ao nosso artilheiro. Ele está fraco, visivelmente incapaz de pensar e surdo, depois de ter resistido a uma granada de impacto. Nossos rapazes não sabem mais para onde atirar. Nem eu. Espero que daqui a quinze minutos tenha boas notícias pelo rádio de Luz. Isso se ele estiver vivo e o rádio ok.
Quando ela prometeu que eu a veria mais tarde, não acreditei. Mas essa batalha, truncada, tinhosa e violenta ainda pode ser vencida. Ainda pode.
Soldado Gomes traz as notícias. Coronel Luz e sua equipe avançaram, após 21 baixas. Até que fomos bem, considerando que a Delta 5 luta há 34 dias sem sossego. Meu comando é que esperemos se o inimigo contornou mesmo a montanha e quais seriam nossas chances de sobrevivência frente a uma ofensiva. Acredito que parte dos adversários tenha recuado, em manobra de defesa ao front deles, mas boa parte está vindo para cá, em virtude de nossas escutas pelo rádio. Temos mais de uma tonelada em armamento, munição e remédios, o que vale mais do que qualquer cantil de água nesse lugar calorento.
Pela luneta de meu rifle vejo um sniper. Ele se mexe vagarosamente, em busca de uma árvore, mais ou menos a 50 metros dele e a 120 metros de nós. Os homens pedem para que eu atire, mas espero. Sei que ele me viu e sei que nem por isso pararia sua manobra. Alerto para a possibilidade de outros atiradores estarem posicionados no perímetro. Todos a postos. O cheiro de sangue corre no ar. Um cheiro de coisa amarga. Um fedor aliás.
O som é seco. Estampido de rile e um de nossos capacetes tilinta. Moraes está morto. Talvez o calibre seja um 0.50mm. Sem chances, "fogo à vontade". Toda a tropa visualiza aquilo que seriam 120 inimigos em formação romana, algo quase não usado nos dias de hoje. A artilharia começa a mirar os morteiros, o silêncio morre, pouco a pouco. Não há um pássaro sequer, nem mesmo insetos figuram entre nós. Só barulho de botas pisando a esmo um chão seco, amarelado e arenoso. De repente a formação romana se abre e dois tanques mostram suas caras.
Coronel Luz nos alerta pelo rádio sobre aquilo que víamos com nossos olhos: "Dois tanques escoltados! Dois tanques escoltados!". Um massacre. Acho que agora somos, no máximo, 45 soldados. Vejo a morte cada vez mais perto de mim, sorrindo e me dizendo: "Vim te buscar, demorei, não?". Demorou. Aqui cada segundo é uma eternidade. Nossos artilheiros tremem. Suas mãos já não conseguem carregar as bombas. Suas cabeças se voltam a mim. O olhar é de quem pergunta: "Vamos viver?".
Não sei...

Agora sim, Vaca Voadora!


Você está correndo atrás do seu celular para saber as horas. O diabo do aparelho começa a tocar, dando pistas de onde ele está. Daí, você acha o danado. Todo orgulhoso, atende o telefone. Na verdade era o alarme dizendo a hora de acordar. Mas, você já estava acordado. Graças a um zumbido incessante do computador, seu outro despertador científico.
Caminhando até a cozinha, para preparar uma bela refeição insossa de microoondas, acha mais um artefato dos deuses japoneses; seu MP7... Olha pra ele, ele te "responde", zuim-troinc-bleck-bum... Demora um pouco mas você até consegue entender o que o aparelho quis dizer: "Carregue a bateria." Num ato quase que involuntário, estica-se o braço, pluga-se o que mais parece um maço de cigarros na parede e outro zunido confirma a recarga.
O lanche de hoje é empanado de frango ao molho sem-graça. Para beber, suco de água com gosto de maçã, feito aqui mesmo, numa cidade perto de Goiânia. As horas no relógio digital de pulso ( esquecido no começo do enredo ) marcam: atrasado.
A água do chuveiro dá lugar a uma rápida esguichada de torneira de pia. Banho de gato, dente escovado, "Cadê a merda da chave do carro?". O celular tem a resposta, na parte da agenda escrita: "Amor". Ela responde, que quando se chega em casa, normalmente a chave fica pendurada no chaveiro da parede, ao lado do relógio despertador. "Ah é mesmo!". O carro liga numa boa, está pronto para ser castigado pelos pés e mãos de um motorista apressado, com medo de broncas futuras. Na portaria do trabalho, outra surpresa: você se esquece da prova que existe na empresa: maldito crachá! Ligação para o chefe do seu departamento, que nem sabia do seu atraso e agora sabe das duas mancadas. Ele autoriza sua entrada desde que a reunião, que era para discutir metas, mude a pauta para "Discutiremos a sua importância aqui dentro".
Aparentemente, ele está bem, o seu chefe; sua cafeteira não estragou, o ar condicionado marca 16ºC, os celulares brilham a cada mensagem do Campeonato Brasileiro recebida, o Orkut bomba de mensagens das gatinhas de 15, 16 anos, conhecidas em noitadas anteriores, a chave do carrão pede: "me use!".
Uma bronca a mais outra a menos, o quê fazer? Mas, no meio da reunião, o SEU celular toca, quem é? "Amor". Você não atende. Ele toca de novo e seu chefe manda você pastar em lotes de outra empresa. O telefone toca de novo, de novo, você puto de raiva atende dizendo: "Que merda, por sua culpa, perdi a porra do meu emprego!". Ela, toda calma, lhe responde: "Nasceu, amor! Ela é linda! Perfeita, tem seus olhos!". Depois da mancada, você se compromente a ir até o hospital, local de onde saiu de madrugada, porque não poderia perder uma reunião importante no trabalho e não daria para assistir ao nascimento de sua primeira cria. Sentindo-se como um cão sem rumo, automaticamente desliga o telefone, para não ser importunado no caminho. Antes de comprar as florres e os chocolates, se incomoda com uma vibração: seu pager, dizendo para atender o telefone com urgência. Obedece ao comando, liga o celular, olha as horas, não compra nem flores e nem chocolates. Se surpreende com a voz dizendo: "Você foi aceito, venha trabalhar conosco, seu currículo e referências são ótimos!" Cai no chão de tanta alegria e se lembra daquele detalhe de apenas minutos de vida te esperando... E aí, o quê fazer?

Primeira Carta


Primeiro de tudo. Não conseguimos copiar e colar um texto aqui. Merda. Essa é a primeira Discórdia de nosso blog. Foda-se tecnologia. Nós odiamos você e suas artimanhas de quinta categoria. Mas, como não somos preguiçosos ( aliás, somos sim e daí, vai a merda também ) , tentaremos fazer isso funcionar.