sexta-feira, 31 de julho de 2009

Cena do Crime.




Segunda-feira. Quatro e meia da manhã. Eu e Murddock estamos no meio do nada, em uma casa simples, na beira de uma rodovia estadual. O fedor é insuportável, algo como fósforo misturado a outro composto, talvez alguma química, não sei ao certo. Meu parceiro tira fotos da mulher morta. Seu rosto não é comum, mas tem traços familiares. Suspeita de crime passional. Marido violento. Entregava sua alma ao coisa ruim mas não levava desaforo para casa. E nesse dia ela revidou.
Depois de uma bebedeira quase sem fim, ele chegou em casa e começou a praticar seu esporte predileto: bater na esposa. Ela, quase indefesa e mais uma vez pega de surpresa enquanto dormia, desmaiou. Smith, como era chamado pelos vizinhos, parece não ter acreditado no desmaio de sua mulher e praguejou bem alto, para que todos ouvissem: "Não passas te hoje, mulher. Terás teu destino traçado por minhas mãos!". Foram vários os golpes, e ele não mentiu. Desferiu todos com suas próprias mãos. Mãos de quem trabalhava, não era desonesto, porém, alcoólatra e covarde. Muito covarde.
Quando chegamos, a polícia local nos deu os detalhes. Eu e Murddock apenas estávamos cumprindo com a praxe legal, a perícia. Algo praticamente desnecessário para a vizinhança, mas que faz muita diferença em juízo. Aliás, arguí alguns vizinhos o porquê deles não chamarem a polícia em outras ocasiões. "Medo de apanhar. Ele era muito violento e não perdoava ninguém. Merece a perpétua." Aí já não é comigo.
Patrulheiros trazem Smith. Ele me olha como uma águia olha uma presa. Devolvo o olhar. Deixo bem claro que seria nossa primeira e última conversa.

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