terça-feira, 28 de julho de 2009

Jornalistas, Uni-Vos e Vão à ......



Jornalistas de todo o mundo e desse país grande e besta quadrada. Agora que sua faculdade foi diminuída a uma espiga de milho roída pelo paramécio do camundongo manco, reflita: será mesmo que precisa-se necessariamente de mais um papel para provar quem você é, ou sabe fazer? Será que esse tão sonhado diploma ( que pode ser até comprado ) credita todas as suas faculdades mentais? E mais, será que as redações de toda a galáxia realmente se importam, já que é mais vantajoso o emprego de estudantes ( estagiários )?
Bem, após mais ou menos quatro anos de luta você tem a certeza que sim. Valeu a pena, até porque a Globo só vai contratar especialistas no assunto, estilo Francine do Big Brother, Cléber Bam-Bam, para trabalhar na telinha. Mas, no Jornal Nacional não. Lá podem entrar Paulo Coelho, Ana Maria Braga, Xuxa...Didi... Todos esses podem ser "Repórteres por um Dia" do ( eca ) Fantástico. Aliás, acho que o piso deles é um pouco maior que o da classe academicista e corporativista, né?
Mas olha só: sua casa tem infiltração nas paredes? Beleza! Coloque todas as suas atividades extra-curriculares, congressos, viagens à Central Num-Sei-o-Quê de Produção, seus cursos de idiomas e, não se esqueça das fotos de formatura! São excelentes tapa-buracos e lascas de parede!

Ode - Primeira parte.


Até mais tarde. Ela disse isso olhando no fundo de meus olhos, me dando medo. Sua frieza. Seu tato frio e macabro. Odeio despedidas. Assim como odeio quem odeia despedidas. Mas não chego a me odiar. Ainda não. Minhas feridas causadas pelo tempo me ensinaram a recuar enquanto é cedo.
A realidade num campo de batalha parece melhor visualizada em preto e branco. As cores podem confundir os olhos de quem a assiste, e, o pior, fazer com que a batalha fique bela. Tudo bem que em preto e branco ainda é possível beleza. Mas a energia dessas cores despejam todo o peso existente dentro de um "battlefield". Olho para cima e vejo que a manhã ainda é tímida, cinza e sépia, o sol há de vir, mas não sabemos se o veremos hoje.
O General inimigo soube bem contornar boa parte de suas baixas e posicionou vários batedores e eles deram as coordenadas exatas de nossa posição e de nosso armamento, por causa do jeito que nos atacaram ontem. Perdi um dos meus melhores amigos, amizade de guerra, feita no navio ainda. Não sei se conseguirei transparecer calma e decisão à minha pequena tropa hoje. Nossa missão ainda é defensiva, guardar nossos mantimentos e munição, enquanto o Coronel Luz avança em ofensiva silvestre. Nossa tática é enfraquecer a ofensiva contrária e dar suporte ao próximo ataque aéreo. E ele sempre demora, por causa das condições do relevo aqui. Muitas montanhas, ataques de helicópteros e o medo são inimigos das nossas aeronaves.
Temos menos de meia hora antes do próximo ataque inimigo. Ontem contei vinte e sete soldados mortos por mim, pelo menos o que eu achei. Nosso campeão ainda é a "Mãe 60", apelido dado ao nosso artilheiro. Ele está fraco, visivelmente incapaz de pensar e surdo, depois de ter resistido a uma granada de impacto. Nossos rapazes não sabem mais para onde atirar. Nem eu. Espero que daqui a quinze minutos tenha boas notícias pelo rádio de Luz. Isso se ele estiver vivo e o rádio ok.
Quando ela prometeu que eu a veria mais tarde, não acreditei. Mas essa batalha, truncada, tinhosa e violenta ainda pode ser vencida. Ainda pode.
Soldado Gomes traz as notícias. Coronel Luz e sua equipe avançaram, após 21 baixas. Até que fomos bem, considerando que a Delta 5 luta há 34 dias sem sossego. Meu comando é que esperemos se o inimigo contornou mesmo a montanha e quais seriam nossas chances de sobrevivência frente a uma ofensiva. Acredito que parte dos adversários tenha recuado, em manobra de defesa ao front deles, mas boa parte está vindo para cá, em virtude de nossas escutas pelo rádio. Temos mais de uma tonelada em armamento, munição e remédios, o que vale mais do que qualquer cantil de água nesse lugar calorento.
Pela luneta de meu rifle vejo um sniper. Ele se mexe vagarosamente, em busca de uma árvore, mais ou menos a 50 metros dele e a 120 metros de nós. Os homens pedem para que eu atire, mas espero. Sei que ele me viu e sei que nem por isso pararia sua manobra. Alerto para a possibilidade de outros atiradores estarem posicionados no perímetro. Todos a postos. O cheiro de sangue corre no ar. Um cheiro de coisa amarga. Um fedor aliás.
O som é seco. Estampido de rile e um de nossos capacetes tilinta. Moraes está morto. Talvez o calibre seja um 0.50mm. Sem chances, "fogo à vontade". Toda a tropa visualiza aquilo que seriam 120 inimigos em formação romana, algo quase não usado nos dias de hoje. A artilharia começa a mirar os morteiros, o silêncio morre, pouco a pouco. Não há um pássaro sequer, nem mesmo insetos figuram entre nós. Só barulho de botas pisando a esmo um chão seco, amarelado e arenoso. De repente a formação romana se abre e dois tanques mostram suas caras.
Coronel Luz nos alerta pelo rádio sobre aquilo que víamos com nossos olhos: "Dois tanques escoltados! Dois tanques escoltados!". Um massacre. Acho que agora somos, no máximo, 45 soldados. Vejo a morte cada vez mais perto de mim, sorrindo e me dizendo: "Vim te buscar, demorei, não?". Demorou. Aqui cada segundo é uma eternidade. Nossos artilheiros tremem. Suas mãos já não conseguem carregar as bombas. Suas cabeças se voltam a mim. O olhar é de quem pergunta: "Vamos viver?".
Não sei...

Agora sim, Vaca Voadora!


Você está correndo atrás do seu celular para saber as horas. O diabo do aparelho começa a tocar, dando pistas de onde ele está. Daí, você acha o danado. Todo orgulhoso, atende o telefone. Na verdade era o alarme dizendo a hora de acordar. Mas, você já estava acordado. Graças a um zumbido incessante do computador, seu outro despertador científico.
Caminhando até a cozinha, para preparar uma bela refeição insossa de microoondas, acha mais um artefato dos deuses japoneses; seu MP7... Olha pra ele, ele te "responde", zuim-troinc-bleck-bum... Demora um pouco mas você até consegue entender o que o aparelho quis dizer: "Carregue a bateria." Num ato quase que involuntário, estica-se o braço, pluga-se o que mais parece um maço de cigarros na parede e outro zunido confirma a recarga.
O lanche de hoje é empanado de frango ao molho sem-graça. Para beber, suco de água com gosto de maçã, feito aqui mesmo, numa cidade perto de Goiânia. As horas no relógio digital de pulso ( esquecido no começo do enredo ) marcam: atrasado.
A água do chuveiro dá lugar a uma rápida esguichada de torneira de pia. Banho de gato, dente escovado, "Cadê a merda da chave do carro?". O celular tem a resposta, na parte da agenda escrita: "Amor". Ela responde, que quando se chega em casa, normalmente a chave fica pendurada no chaveiro da parede, ao lado do relógio despertador. "Ah é mesmo!". O carro liga numa boa, está pronto para ser castigado pelos pés e mãos de um motorista apressado, com medo de broncas futuras. Na portaria do trabalho, outra surpresa: você se esquece da prova que existe na empresa: maldito crachá! Ligação para o chefe do seu departamento, que nem sabia do seu atraso e agora sabe das duas mancadas. Ele autoriza sua entrada desde que a reunião, que era para discutir metas, mude a pauta para "Discutiremos a sua importância aqui dentro".
Aparentemente, ele está bem, o seu chefe; sua cafeteira não estragou, o ar condicionado marca 16ºC, os celulares brilham a cada mensagem do Campeonato Brasileiro recebida, o Orkut bomba de mensagens das gatinhas de 15, 16 anos, conhecidas em noitadas anteriores, a chave do carrão pede: "me use!".
Uma bronca a mais outra a menos, o quê fazer? Mas, no meio da reunião, o SEU celular toca, quem é? "Amor". Você não atende. Ele toca de novo e seu chefe manda você pastar em lotes de outra empresa. O telefone toca de novo, de novo, você puto de raiva atende dizendo: "Que merda, por sua culpa, perdi a porra do meu emprego!". Ela, toda calma, lhe responde: "Nasceu, amor! Ela é linda! Perfeita, tem seus olhos!". Depois da mancada, você se compromente a ir até o hospital, local de onde saiu de madrugada, porque não poderia perder uma reunião importante no trabalho e não daria para assistir ao nascimento de sua primeira cria. Sentindo-se como um cão sem rumo, automaticamente desliga o telefone, para não ser importunado no caminho. Antes de comprar as florres e os chocolates, se incomoda com uma vibração: seu pager, dizendo para atender o telefone com urgência. Obedece ao comando, liga o celular, olha as horas, não compra nem flores e nem chocolates. Se surpreende com a voz dizendo: "Você foi aceito, venha trabalhar conosco, seu currículo e referências são ótimos!" Cai no chão de tanta alegria e se lembra daquele detalhe de apenas minutos de vida te esperando... E aí, o quê fazer?

Primeira Carta


Primeiro de tudo. Não conseguimos copiar e colar um texto aqui. Merda. Essa é a primeira Discórdia de nosso blog. Foda-se tecnologia. Nós odiamos você e suas artimanhas de quinta categoria. Mas, como não somos preguiçosos ( aliás, somos sim e daí, vai a merda também ) , tentaremos fazer isso funcionar.