terça-feira, 17 de novembro de 2009

Países não estão em Guerra?

12 Reféns. Nunca que esses fanáticos vão concordar. Uma coisa é óbvia: agora mesmo teremos a chance de negociar melhor. Arrumar outro avião, aqui na Rússia, seria algo quase improvável, mesmo sabendo que a atual economia russa está mais aberta do que estacionamento 24 horas.

"Petulantes. EU DIGO O QUE VOU FAZER. QUEM DÁ AS CARTAS AQUI NESSA MERDA SOU EU. Primeiro: Não há hipótese alguma de negociação. Se quiséssemos isso, faríamos na Inglaterra. Segundo: assim que cessar essa comunicação, eu mesmo matarei os 12 reféns que os senhores achavam que seriam libertos. Outra coisa: um avião cargueiro, militar, com autonomia de vôo para 30 horas, senão um dos políticos aqui vira pó.Desligo."

Ivan nem pestanejou e fuzilou sete pessoas já mortas e completou as doze. Não acredito mais em nada mesmo. Nem em ninguém. Vou matar logo esse cara. Saco minha arma e, com a coronha, desmaio o piloto. Roubo a sua arma, uma sub, de fabricação israelense e uma 9.2mm. Cinco carregadores de cada arma me dão a margem de 15 minutos de tiroteio. Fecho a porta da cabine do avião chutando o cadáver do piloto. Estou pronto, animais..

Parênteses

Quando estávamos no ar, uma voz feminina entrou pela cabine, no rádio do avião. Com certeza uma Russa, que, falando em Inglês, demonstrava muita calma e decisão. Se identificou como Frida Duchese Schtoilatson, cônsul russa e possível negociadora. Ela animou os sequestradores afirmando que os caças iriam somente escoltá-los. Pensei que isso tudo era uma grande merda, já que tínhamos sido avariados. Mesmo assim, gostei do tom de voz de Frida e comecei a torcer para que o piloto de nosso boeing conseguisse o pouso.

A morte dava suas caras pouco a pouco, um a um os reféns sofriam crises de infarto enquanto a aeronave descia. A um custo material e pessoal quase incalculável, o imopiloto consegue, graças a não sei quem, jogar o boeing numa fazenda. Estávamos praticamente todos feridos, mas vivos.

"Torre de controle, conseguimos pousar, pedimos coordenadas e segurança dentro de um perímetro de 12km." - "Ótimo, aqui quem fala é o Comandante Kovalckson, vocês têm a minha garantia de segurança. Peço que permaneçam dentro da aeronave. Dentro de 5 minutos faremos contato visual por terra e ar, câmbio."

Agora o negócio parecia estar mais tenso. Ivan não deixava claro se concordava ou não com o que estava acontecendo e andava de um lado pro outro. O velho da Uzi se mostrava um pouco menos tenso, acho que esse cara é russo mesmo. Eu tento até agora entender essa merda de sequestro e não vejo como o governo da China compactua com esses possíveis "camaradas", me parecem muito desleixados para representarem alguma coisa ligada a partidos políticos, dão a impressão de serem meros sequestradores, mas isso não os rebaixa em grau de maldade. Nennhum pouco.

Alguns francos espalhados pelo chão chamam a atenção de Ivan. Ele abaixa, diz um sonoro "merda" e segue em direção ao pavimento inferior da aeronave. Ouço sua voz, agora ríspida e imperativa. Na certa dando um esporro em alguém. Dois tiros. Nada mais.

"Atenção tripulantes do vôou 1234, aqui é o Tenente Dardwet, sou da equipe terrestre. Estou no comando de nossa operação. Minha frequência de rádio é segura, vocês podem se comunicar comigo. Caso precisem, entrarei no avião, mas só se libertarem 12 reféns." Essas palavras, por mais seguras que pareçam ser, vieram de uma voz trêmula e amendrontada. Estamos feitos...