terça-feira, 28 de junho de 2011

Sem saída.

Tiros pra todos os lados e nada de conseguir me mexer. Sou um alvo duplo, prostrado embaixo de uima árvore, sem poder de fogo para tantos alvejamentos. É uma questão de tempo e eu morro. O ferimento está cada vez pior e a sede aumenta.
Não tenho o que fazer, retalio os disparos vindos do avião e me atento aos que vêm da floresta. De vez em quando respondo a esses, mas sem mirar nos atiradores. Eles não me reconheceram como policial e continuam a disparar contra mim.
Tento improvisar um torniquete com um galho caído numa árvore. Dá certo, o sangue estanca e consigo respirar melhor. O zunido dos projéteis me avisam que os atiradores estão cada vez mais próximos de acertar em mim. Deito no chão e tento disparar contra o avião. Miro nas turbinas, que logo explodem. O susto valeu a pena: consegui sair da posição e entro num buraco.

Caos

É. O caos invade as mentes intrépidas dos habitantes do planeta sem futuro. A semente da discórdia e do ódio já é árvore e floresce exalando o cheiro da morte. A vida não tem mais sentido senão o de matar, o de destruir, o inferno é cada vez mais latente e cada vez mais habitado. Os deuses perderam a paciência com todos, se mudaram, não protegem mais os incrédulos que dizem asneiras em seus nomes.
O poder da glória divina agora é o livre-arbítrio, o santo é demônio invicto, nunca perdeu uma alma sequer. A maldição se instala nas veias de um sistema financeiro arcaico que valoriza o desperdício e a ganância. Não existe mais podridão, porque não há mais pureza.