Corri para perto da cabine, local de onde entrei no avião; os vidros quebrados me deram a idéia de retornar, mas logo meus colegas começaram a gritar e vi um dos sequestradores cair duro na minha frente. Era um dos que estavam na parte mais baixa da aeronave. Talvez ele estivesse tentando decolar ou mesmo fechar as entradas que ficaram abertas pela gente. Junto dele, uma AK-47 em perfeito estado, parecendo ter sido feita no dia anterior. Muita munição e três pedaços de papéis nos bolsos. Não os li, mas me pareceram notas de suicida. Comecço a gritar: "Número 1! Deixa eu subir aí, vamos continuar nossa conversa!" Não obtenho resposta. Olho para os lados e um dos policiais gesticula pra que eu corresse. Iria me dar cobertura. Nego. Digo que não quero abandonar os reféns. Stanz me joga uma sacola preta. Parece um saco plástico. Consigo apanhá-la. Um comunicador e uma garrafa d'água. Coloco o rádio no ouvido...
"Cara, é o seguinte, o Primeiro Ministro disse que um dos passageiros é Libanês, uma espécie de autoridade política. Ele estaria concuminado com esse grupo aí. Você conseguiu identificar alguém?"
Faço que não com a cabeça; "Tá legal. Então vê se tem um papel aí dentro dessa sacola e escreve pelo menos de onde você acha que eles são e quantos." Escrevi o que achava e comecei a ficar preocupado com esse papo de autoridade libanesa. Pra mim, isso não tinha nada a ver, já que eles mais pareciam ocidentais mesmo, motivados por outra coisa. Ainda mais por causa da outra aeronave que iria fazer parte do sequestro. Mas uma coisa me veio à cabeça: como eu iria sair dali, como faria para continuar as negociações? E agora, que Irana estava morta, quais seriam as instruções dos sequestradores? Minha mente está confusa, não consigo pensar direito e ainda nem se passou muito tempo assim.
"Policial!" A voz vinha da cabine. "Oi, estou aqui, pode falar!" Pegue essa corda e suba para a cabine. Avise ao atirador de elite para que ele não faça nenhuma gracinha, tenho uma refém comigo."
"Alô, Stanz. Diga ao sniper para ele cessar fogo, vou voltar ao interior." Instruções dadas, grito um "Pronto" e eles jogam uma corda. Subo e deixo o rádio ao lado do trem de pouso. Dentro da cabine, uma senhora de uns 60 anos, assustada, me aponta o caminho de entrada. Passo por ela e vejo que um de seus olhos pisca para mim. Ela então corre e se joga para fora do avião. Me volto para a frente e recebo uma porrada bem no meio da minha cabeça.
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