
Chegamos ao Distrito. Eu, depois de ir ao médico e fazer um curativo meia-bomba na perna e o restante da equipe. A palestra hoje foi um azar só; broncas, xingamentos, decepções, perdas e muita besteira de quem estava com a cabeça quente e procurava descontar erros nos outros. O Delegado é assim mesmo. E tem suas razões. Mas não sabe nada de estratégia, não entra em campo seguro, não coordena bem uma equipe de resgate. A sua cabeça política não é mais o território seguro e austero de quem deve decidir rápido e não admitir falhas. Nosso treinamento, embora tenha sido na mesma época, foi diferente. Eu, por não ser Delegado, acabei ficando com a parte mais pesada; rústica e objetiva. Ele passou por algumas lições e acabou recebendo mais uma qualificação policial. Obra da política. Candidato a prefeito, com certeza nas próximas eleições.
O saldo realmente foi aterrorizador. Nada que uma simples equipe da S.W.A.T. resolvesse. Fomos burros e impulsivos. Não demos conta de uma situação simples e que não admitiria riscos. Eu reconheço que fui um dos que se levaram pela emoção. Um engano tremendo. Acho que preciso conversar com o pessoal, mas todos estão exaustos e cheios de raiva. Sem falar nos feridos e mortos. Linda, nossa chefe operacional, me chama no corredor. Não sei o que dizer. Fico estático e ouço mais uma saraivada de sermões que nem Moisés conseguiria escutar. Aliás, minha paciência se esgota a cada minuto passado aqui dentro dessa delegacia. Peço para ir embora. Mas o diabo do relatório tem que estar ali, do clássico jeito. Na mesa dela. Na mesa do Delegado. Na mesa do Comissário. Faço o que tem de ser feito, de cara amarrada, dores na perna e nas costas. Um quilo e meio de paracetamol, anti-inflamatórios e analgésicos depois, sou levado em casa. Repouso por um mês. Merda...
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