quarta-feira, 18 de novembro de 2009

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As coisas estão piorando. Alvejando a porta da cabine com uma saraivada de metralhadoras e espingardas, os sequestradores quase conseguem me acertar. Não penso duas vezes e me escondo em qualquer lugar, esperando a recarga, que parece não acontecer nunca. Aquele momento de silêncio que nos credita alguma chance em tiroteios, quando o "rival" está recarregando suas armas. Mas o rival aqui são muitos, todos sedentos, que esperavam que eu cometesse esse erro crasso.Isso pode custar a vida de todos os reféns. Mas, como eu não tenho saída, escapatória nenhuma e acho que vamos todos é morrer mesmo, faço minhas as palavras do Iron Maiden: "If you gonna die, die with your boots on!". Morrer lutando é o que posso oferecer a mim mesmo. Quem sabe eu não dou sorte e me saio vivo dessa.
Uma granada de impacto é lançada e quebra a porta. Nada...silêncio. Estou em um ângulo de, aproximadamente 40 graus à leste de quem entra. Minhas duas miras ficam uma baixa e outra alta. Não consigo escutar nada. Vejo um movimento. Espero. Um dos sequestradores me vê e não atira. Apenas acena com a cabeça, mandando eu jogar as armas no chão. Ele tem o político como escudo. Atiro na cabeça do político e depois no pescoço do criminoso. Ivan grita, esperneia, xinga, mas não aparece. Um dos militares agora é que serve de escudo para o velho da Uzi. Mudo minha posição, rastejo e rolo até me aproximar de uma das janelas, estilhaçada pelo impacto da granada. O velho me vê e atira. Errou. Leva um tiro no pé e uma cotovelada do militar, que rouba a arma dele. Em vão...Dois sequestradores o matam, mas a arma roubada é avariada por um dos tiros.
Consigo sair da aeronave e caio no chão. Não respiro. Apenas olho em volta e não vejo uma alma viva. Outra granada cai a 5 metros de mim. Corro e levo duas picadas de marimbondo na perna esquerda. Caio no chão de novo e grito. Ouço os passos dentro do avião, estão me caçando. Um dos sequestradores aparece, caindo da cabine. Como eu estou no chão ele não me vê. Olha para os lados e grita: "Temos companhia!Militares russos estão nos cercando!Ivan, fala no ráááárgh!"
Tomou um tiro na garganta. Eu mesmo atirei.
Corro, chego até uma árvore e olho para trás. Ivan me vê por uma das janelas e faz não com a cabeça. Aponto a minha pistola para a minha cabeça e a submetralhadora para a dele. Sim, sou um maníaco, Ivan. Agora você, não passa de um cadáver.

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