Quando vi, já era tarde. Um dos seis que saíram em busca de nossa tão aventurada equipe voltou e deu uma saraivada de tiros, atingindo umas dez pessoas. Indefesas, mortas e feridas. Não contive minha raiva e praguejei contra o infeliz. Ivan conteve os ânimos do mentecapto e retirou o fuzil de sua mão. Num gesto rápido, logo o homem sacou uma pistola e a apontou para mim. Não tive medo. Até ensaiei um "Atira!", mas não quis assustar mais os reféns. Pedi para que Ivan deixasse eu entrar em contato com Stanz pelo rádio. Disse que iria ordenar o recuo da equipe. Dessa vez ele me atendeu sem dizer nenhuma gracinha...
"O que é isso, Stanz, tá querendo matar todo mundo aqui? Não ouviu o que aconteceu? Estão matando os reféns. Cadê a sua inteligência? Manda esse povo recuar agora, porra! Agora!"
E eles recuaram. Conseguiram matar um dos seis sequestradores. Na minha cabeça são cinco a menos. E a tensão só aumenta. Contei oito reféns mortos e dois feridos. Duas crianças morreram e uma grávida sofreu escoriações no rosto. Mais uma vez requisitei a Ivan o rádio, dessa vez para chamar uma equipe de paramédicos. Ele não concordou.
"Temos paramédicos em nossa equipe. E, além do mais, aqui há dois médicos. Aqueles alemães ali, você pode conversar com eles. Não quero que ela permaneça aqui dentro. Mande-os até ela e providencie que ela saia daqui com curativos."
Estou obedecendo ordens de um sequestrador. Stanz tenta, através de uma frequência do aeroporto fazer contato com Ivan. O homem surta e dá um tapa em Irana. Ela não entende. Nem eu. Já não sei mais raciocinar aqui dentro. Me tornei um zero. Mas ainda tenho controle de minhas emoções. Agora são doze e trinta. Algumas pessoas começam a reclamar de fome. Nada de trégua. Ivan me retira do andar. Subimos as escadas e dou de cara com meu uniforme no chão. Me sinto um bosta.
"Cowboy de araque. Vista suas roupas e saia daqui. Você não faz parte de nossos planos mais. Leve Irana com você e a prenda. Quero ter certeza de que ela sairá daqui antes das duas. Entende o que digo? Ela deve estar fora do aeroporto e do perímetro antes de duas horas da tarde. Caso contrário, não sobrará mais nenhum refém e seu nome será o responsável por isso tudo."
Mais uma vez obedeço ao crápula sem entender. Revisto Irana e a retiro da aeronave algemada. Nós dois estamos desarmados. Sinto uma luz vermelha no olho. É a mira do sniper. Abano com a mão direita, dando o comando de cessar fogo. Ele atira. Irana está morta, diante dos meus pés. Na pista, a uns 200 metros do avião, a equipe que que tentou o resgate em vão. Me olham e pedem para que eu me abaixe. Ouço cinco estampidos secos saindo do boeing; não fui alvejado. Mas o tiroteio começa. Me desespero. Penso nos reféns. Abro os braços e corro para perto do trem de pouso dianteiro. Ouço os gritos de vários reféns misturados a passos firmes pelo avião. Comandos de cessar-fogo vindos de dentro do aeroporto finalmente são obedecidos. Mas não consigo me mexer. Tenho medo de ser atingido pelas costas. Vejo Stanz tentando me focar num binóculo. Ando para a parte de trás do avião e sou seguido pela mira do sniper. O filho da puta não me deixa quieto um segundo só. Não me lembro de quem está nessa função, mas juro que darei uma surra dos diabos nesse infeliz. Matar Irana com certeza vai provocar mais baixas e nos deixar mais vulneráveis aos ataques terroristas.
Ta cada vez mais interessante vou querer o nome do livro ou saber como aconteceu todas as historias
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