As angústias de cada passageiro do "Vôo da Morte", alcunha dada pela imprensa britânica eram repassadas via celular, pelos próprios sequestradores. Um deles, um tal de Gorishk, brincava de correspondente aéreo e nem se preocupava em tapar o rosto; conversava com os âncoras da BBC londrina e dava entrevistas para a rede norte-americana CNN.
Os franceses que estavam na outra aeronave como reféns, agora se tornaram mais membros da operação. Puro teatro. Tirando o episódio das duas crianças mortas, que fora verdade, o resto é a mais pura mentira, todos os choros, lágrimas e palavras de medo...São na verdade infiltrados para garantir o bom andamento do maldito plano.
De soslaio, peguei Ivan olhando uma foto de Irana. Achei uma boa oportunidade. Talvez esteja aí um dos pontos fracos desse calculista e congelado homem. Não o deixei perceber, mas agora que já sei, posso usar isso adiante.
O tempo de vôo previsto era de 4 horas com escala em um dos países russos. Lá, Ivan iria ordenar a troca de alguns presos na Sibéria e libertar os falsos reféns franceses. Só não sei como será essa troca, já que todos eles seriam então interrogados e poderiam ser descobertos. Daí a minha cabeça deu um estalo: e se Ivana não tivesse morta? Com certeza há vários integrantes dessa quadrilha que são indireta ou diretamente ligados à Departamentos de Defesa. Isso está me cheirando a merda. E das podres.
Não sei quanto tempo o restante dos reféns poderá aguentar. O ar condicionado foi desligado, a mando do piloto. Um dos militares já demonstrava sinais de fraqueza. E, agora, não sei em quem mais confiar. Nem eu mesmo estou passível de confiança.
"Dez para sete da noite, Ivan, está na hora!" O piloto deu a dica e Ivan, num gesto seco e sem pensar, atirou no militar enfraquecido. Todos se assustaram e o projétil ricocheteou, abrindo uma das janelas; máscaras de oxigênio desciam enquanto o pânico tomava conta do ambiente. Numa situação dessas, não se sabe o que vai acontecer, ainda mais quando se está a mais de 800km/h. Não sei ao certo, mas senti a aeronave baixar, bem lentamente. Acho que o piloto estaria tentando fazer uma manobra de emergência.
"Ivan, seu idiota! Olha só o que você fez, seu merda!" - O senhor da Uzi praguejava em alemão e xingava numa língua parecida com russo, sei lá.
"Deixa que eu cuido disso. Nada vai acontecer. Seu velho cagão."
Ai, gente! Esse Ivan é muito podre! Acho que tô começando ter ódio dele
ResponderExcluirÉ bom quando vejo que há um pouco de catarse por aqui. Valeu!
ResponderExcluirQueck
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